As cadernetas de poupança vão perder depósito, num primeiro momento, devido ao aumento das taxas de juros. ‘‘Quem tem dívida, sai’’, admite um técnico do Banco Central. A tendência, entretanto, é da poupança continuar sendo uma boa aplicação, uma vez que o aumento das taxas de captação dos bancos nos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) tem reflexo direto na Taxa Referencial de Juros (TR), base da remuneração das cadernetas de poupança.
O único problema, segundo análise dos técnicos do BC, é que o aumento das taxas de juros será captado pela poupança com praticamente um mês de diferença, dando ao poupador uma sensação imediata de perda. Para calcular a TR, o Banco Central usa as taxas médias de captação em CDB das 20 maiores instituições financeiras do País, aplicando, sobre o resultado, um redutor. Embora captada e calculada diariamente, a TR de determinado dia do mês, por exemplo, remunerará a poupança com a mesma data de aniversário no mês seguinte.
O rendimento da poupança em novembro, por exemplo, com o acréscimo de 0,5% de juros, já está definido. A elevação das taxas dos CDBs e, portanto da TR, se refletirá sobre o rendimento da poupança no mês de dezembro. De acordo com os técnicos do BC o crescimento das taxas dos CDBs também dependerá da manutenção das taxas de juros elevadas e da necessidade de captação dos bancos. ‘‘A tendência é dos bancos só captarem para atender às suas próprias necessidades de recursos, uma vez que o risco de emprestar o dinheiro também a taxas elevadas é muito grande’’, analisa um técnico do BC.
Na avaliação do Banco Central, a poupança, que vinha tendo captação líquida positiva em outubro, ou seja, depósitos superiores aos saques, permanecerá positiva. Até o último dia 27 de outubro, a captação líquida da poupança estava em R$ 372,38 milhões, com o saldo acumulado das contas ultrapassando R$ 87 bilhões. A captação de CDBs, em outubro, explodiu, passando dos R$ 7 bilhões no último dia 24, contra cerca de R$ 1 bilhão no mês anterior. A tendência, segundo o BC, é dos CDBs continuarem ganhando captação, muito mais do que a poupança.
O aumento das taxas de juros pode ainda, segundo o BC, ter reflexos sobre a captação dos Fundos de Investimento Financeiro (FIFs), que possuem ações em suas carteiras. A perda de rendimento ou a diminuição da rentabilidade pode afugentar o aplicador. Por outro lado, o aumento da rentabilidade da poupança atrelada ao CDB terá impacto negativo sobre os mutuários do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Sobe a prestação da casa própria e também o saldo devedor do financiamento.
Pelos dados do último censo do Banco Central, de junho deste ano, as contas de poupança com saldo de até R$ 100,00 somavam 40.142.096. O saldo dessa montanha de contas, entretanto, só alcançava R$ 851,8 milhões, representando apenas 1,04% do saldo total.

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