Poupança continua sendo boa opção para aplicar
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
As cadernetas de poupança vão perder depósito, num primeiro momento, devido ao aumento das taxas de juros. Quem tem dívida, sai, admite um técnico do Banco Central. A tendência, entretanto, é da poupança continuar sendo uma boa aplicação, uma vez que o aumento das taxas de captação dos bancos nos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) tem reflexo direto na Taxa Referencial de Juros (TR), base da remuneração das cadernetas de poupança.
O único problema, segundo análise dos técnicos do BC, é que o aumento das taxas de juros será captado pela poupança com praticamente um mês de diferença, dando ao poupador uma sensação imediata de perda. Para calcular a TR, o Banco Central usa as taxas médias de captação em CDB das 20 maiores instituições financeiras do País, aplicando, sobre o resultado, um redutor. Embora captada e calculada diariamente, a TR de determinado dia do mês, por exemplo, remunerará a poupança com a mesma data de aniversário no mês seguinte.
O rendimento da poupança em novembro, por exemplo, com o acréscimo de 0,5% de juros, já está definido. A elevação das taxas dos CDBs e, portanto da TR, se refletirá sobre o rendimento da poupança no mês de dezembro. De acordo com os técnicos do BC o crescimento das taxas dos CDBs também dependerá da manutenção das taxas de juros elevadas e da necessidade de captação dos bancos. A tendência é dos bancos só captarem para atender às suas próprias necessidades de recursos, uma vez que o risco de emprestar o dinheiro também a taxas elevadas é muito grande, analisa um técnico do BC.
Na avaliação do Banco Central, a poupança, que vinha tendo captação líquida positiva em outubro, ou seja, depósitos superiores aos saques, permanecerá positiva. Até o último dia 27 de outubro, a captação líquida da poupança estava em R$ 372,38 milhões, com o saldo acumulado das contas ultrapassando R$ 87 bilhões. A captação de CDBs, em outubro, explodiu, passando dos R$ 7 bilhões no último dia 24, contra cerca de R$ 1 bilhão no mês anterior. A tendência, segundo o BC, é dos CDBs continuarem ganhando captação, muito mais do que a poupança.
O aumento das taxas de juros pode ainda, segundo o BC, ter reflexos sobre a captação dos Fundos de Investimento Financeiro (FIFs), que possuem ações em suas carteiras. A perda de rendimento ou a diminuição da rentabilidade pode afugentar o aplicador. Por outro lado, o aumento da rentabilidade da poupança atrelada ao CDB terá impacto negativo sobre os mutuários do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Sobe a prestação da casa própria e também o saldo devedor do financiamento.
Pelos dados do último censo do Banco Central, de junho deste ano, as contas de poupança com saldo de até R$ 100,00 somavam 40.142.096. O saldo dessa montanha de contas, entretanto, só alcançava R$ 851,8 milhões, representando apenas 1,04% do saldo total.


