Rio de Janeiro - Com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo a quase 6%, a inflação em alta e o déficit externo aumentando, a economia brasileira dá a impressão de que bateu nos limites da velocidade de expansão sem provocar desequilíbrios econômicos. ‘‘Temos todos os sinais de uma economia tentando crescer além da sua capacidade’’, diz Samuel Pessôa, diretor do Centro de Crescimento Econômico da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro.
  Para muitos analistas, o Brasil tem um problema crônico de baixa poupança doméstica, que seria insuficiente para financiar os investimentos necessários para sustentar um ciclo longo de expansão a mais de 5% ao ano, um ritmo relativamente tranqüilo para diversas nações emergentes bem sucedidas.
  Há evidências, de outro lado, de que o próprio crescimento leva a poupança a aumentar, o que faz com que outro grupo de economistas considere aquele tipo de preocupação um exagero da corrente mais ortodoxa. O problema, porém, é que a divulgação do PIB do primeiro trimestre de 2008 nesta semana revelou uma poupança nacional que não só é baixa, mas também não se está ampliando na esteira do forte crescimento desde 2006.
  Na série encadeada de quatro trimestres, a poupança doméstica brasileira vem caindo desde o segundo trimestre de 2007, quando atingiu 18,09% do PIB. No primeiro trimestre de 2008, ficou em 17,57%. Analisando-se em perspectiva um pouco mais longa, os números também são desanimadores. Depois de ter atingido taxas muito baixas durante a crise de 2002 e 2003, a poupança doméstica recuperou-se para um pico de 18,6% do PIB no terceiro trimestre de 2004, e, de lá para cá, foi escorregando lentamente para o nível atual.
  Na visão tradicional dos economistas, a poupança é a renda que não é gasta em consumo e, portanto, pode financiar investimentos. Quando a economia está aquecida, o consumo e os investimentos tendem a crescer simultaneamente. Como o aumento do consumo diminui a poupança doméstica, o País precisa de poupança externa para complementar o financiamento dos investimentos. Outro sintoma de consumo e investimento excessivos, em relação à capacidade de oferta da economia, é a inflação.
  No caso brasileiro, há um claro descompasso entre os investimentos, que vêm crescendo vigorosamente, e a poupança doméstica, estagnada, na melhor das hipóteses. Os investimentos cresceram de 16,4% do PIB no primeiro trimestre de 2004 (sempre no conceito de quatro trimestres encadeados) para 18,6% nos três primeiros meses de 2008. A poupança, porém, ficou quase estagnada, saindo de 17,01% para 17,57% do PIB.

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