POUPANÇA - Mudança afeta menos pequeno poupador
A diferença é pouca, mas já assustou o poupador. É mais uma regra para prejudicar o brasileiro, diz o comerciante londrinense, José Marcos Gomes, 43 anos, a respeito das mudanças anunciadas pelo governo para a caderneta de poupança na última quinta-feira. Há 30 anos, ele investe nesta modalidade por considerá-la segura e livre de impostos.
O alívio do comerciante é acreditar que não será prejudicado porque sua conta é anterior às novas regras. Mas não é bem assim. De fato, nada muda para o dinheiro depositado nas cadernetas até quinta-feira. Mas os novos depósitos, mesmo aqueles feitos em contas antigas, ficam sujeitos à alteração.
Desde sexta-feira passada, os bancos são obrigados a separar os depósitos novos dos antigos em duas contas. O dinheiro antigo continua rendendo 6,17% ao ano mais TR. Mas os novos valores passarão a ter rendimento menor sempre que a taxa básica da economia, a Selic, estiver em 8,5% ao ano ou abaixo deste patamar. Atualmente, a taxa, que é definida pelo Conselho de Política Monetária (Compom), está em 9% ao ano.
Um valor de R$ 50 mil depositado até quinta-feira na poupança rende R$ 3.185 ao ano. E vai continuar assim. O mesmo rendimento vale para novos depósitos enquanto a Selic estiver acima de 8,5%. Mas quando a taxa básica chegar a esta porcentagem, o rendimento de novos R$ 50 mil depositados passarão a render R$ 3.085 ao ano, uma diferença de R$ 100.
● Segundo o governo, a mudança não é para afugentar os pequenos poupadores, mas segurar a migração dos grandes investidores para a poupança, em que não há cobrança de imposto de renda
● Os valores da poupança são destinados ao financiamento da habitação e do saneamento básico. Para alguns economistas, ao desestimular a poupança podem faltar recursos para esses serviços
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