Apesar de não dominar a língua inglesa, não se preparar para entrevistas e gastar menos de 10 horas por semana na procura por um novo emprego, a maioria dos desempregados brasileiros deseja cargos executivos em grandes empresas em acordo com as normas da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). É o que indica uma pesquisa sobre o perfil do desempregado no País, divulgada recentemente pelo Grupo Catho, agência de consultoria e recursos humanos, com sede em São Paulo.
A pesquisa foi realizada via internet com 13.616 desempregados. Entre os entrevistados, 79% dizem aceitar propostas de emprego sem carteira de trabalho assinada; 43,11% precisam de um novo emprego para pagamento de contas e para necessidades familiares; 17,9% estão desempregados há mais de 18 meses; e 45,5% têm curso superior. No entanto, a maior parte do grupo entrevistado não fala inglês (28,64%), procura por outro emprego menos de 10 horas por semana (28,66%) e já recusou propostas de emprego (44,73%), principalmente por acharem que receberiam pouco.
Na opinião da vice-presidente do Grupo Catho, Silvana Case, a pesquisa aponta os desejos dos desempregados, que ainda não sabem direcionar suas capacidades profissionais para as empresas certas. ''As pessoas devem, em primeiro lugar, conhecer seu próprio perfil profissional e, de acordo com ele, dirigir-se às empresas onde seu currículo seja compatível''.
Uma consulta sobre valores salariais atualizados também é válida, segundo Silvana. ''Os contratantes sempre perguntam quais as pretensões salariais da pessoa, e um salário supervalorizado pode atrapalhar muito a contratação''. Para Silvana, a preparação para entrevistas, que só é realizada por 18,68% dos entrevistados, também tem grande importância. ''Não adianta acreditar que um bom currículo é suficiente. É preciso acumular informações sobre a empresa e sobre seu próprio potencial e seus pontos onde há necessidade de melhora''.
O técnico de edição Luiz Antônio Oliveira, 42 anos, faz parte do grupo de pessoas que buscam preparação para entrevistas. Luiz, que foi demitido recentemente, afirma que busca principalmente informações das empresas onde procura emprego. ''Causa uma boa impressão'', acredita. Já o ex-gerente de postos de gasolina e pensionista José Silva de Oliveira, com 63 anos e à procura de umn emprego desde 2001, diz não se preocupar com preparação para entrevistas. ''Como não tenho urgência para encontrar um novo emprego, fico com preguiça de estudar'', diz.
''O aumento do potencial de empregabilidade exige atualização'', explica Silvana, ressaltando que a coleta de informações sobre a empresa onde se pretende trabalhar pode contar pontos na hora da contratação. ''Conhecer a empresa, seus produtos e seus concorrentes mostra interesse e pode ser decisivo na hora da escolha'', conclui.

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