A população mundial consome 20% a mais do que o planeta é capaz de oferecer. A conclusão é do relatório da ONG World Wild Foundation(WWW), Living Planet 2002, que classifica esse padrão de consumo como insustentável. Para a organização, esse dado revela, ainda, que poucos consomem muito e muitos não consomem nada. A mudança desse parâmetro implica na eliminação da pobreza.
Consumo sustentável significa que todos devem ter acesso ao consumo que atenda às suas necessidades básicas. O consumo de produtos e serviços, por sua vez, tem que estar dissociado do consumo de recursos naturais e da produção de poluição e lixo.
Essa conduta deve seguir o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas. Os países ricos e as classes média e rica dos países emergentes, como o Brasil, devem tomar a iniciativa na mudança dos padrões de produção e consumo, uma vez que produzem e consomem mais e servem de modelo para o resto do mundo.
No Brasil, se não nos comovemos mais com a miséria que vemos nas ruas, ou se não relacionamos a violência com a desigualdade social, deveríamos ficar chocados com a informação de que só existem três países africanos com a renda mais concentrada do que a nossa. O País é dividido: uma parte da população consome tanto, ou mais, que o alemão ou japonês médio; e uma grande parte consome o mínimo para a sobrevivência, mas sonha consumir o que os comerciais da TV dizem ser essencial para a felicidade.
A concentração de renda impede o crescimento do mercado interno. No setor de telecomunicações, existem 11 milhões de linhas ociosas, apesar de menos de 40% das residências brasileiras possuírem telefone instalado. Em 2001, por outro lado, foram registrados cerca de 2,5 milhões de bloqueios de linhas telefônicas por inadimplência.
Consumo sustentável, no Brasil, significa que a pobreza deve ser eliminada para que as pessoas excluídas possam ter acesso ao consumo que atenda suas necessidades. Os padrões de consumo das classes média e rica, neste contexto, precisam mudar para que sejam sustentáveis. A redistribuição de renda deve ser feita por meio da mudança dos padrões de produção, comércio e consumo. Estes setores devem levar em conta não apenas a sustentabilidade econômica, mas também, a social e a ambiental.

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