O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou ontem os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), referentes ao mês de julho, que apontaram um saldo de, aproximadamente, 41,4 mil empregos formalizados no mês, um salto de 0,10% na comparação com o mês passado. O número é resultado de um total de 1.781.408 admissões e 1.739.845 demissões durante o mês avaliado.
Esse é o menor desempenho na geração de empregos, para um mês de julho, desde 2003, quando o saldo atingido foi cerca de 38 mil. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda nas formalizações de empregos com carteira assinada, passa de 100 mil.
Para a economista e professora de economia do trabalho da UEL, Katy Maia, tal resultado é preocupante. Ela explica que a lista de motivos que resultou neste desempenho é grande, mas destaca questões como a valorização do dólar, que torna a importação de insumos mais cara. "No caso do trigo, por exemplo, que é 60% importado pelo Brasil. O custo para os empresários aumenta e com isso caem as contratações", destaca.
A expectativa dos empresários com relação ao cenário econômico também é um fator determinante, segundo a economista, que ao não identificar um futuro equilibrado entre taxas de juros e inflação, opta por não contratar ou contrata menos. "O empresário só vai empregar se ver a possibilidade de aumentar seus lucros. Em vez de contratar ou até comprar equipamentos, pode preferir investir no mercado financeiro".
A menor geração de empregos, de acordo com Katy, já é uma tendência, que se for mantida irá culminar no aumento da informalidade. "Nos últimos anos o emprego informal vinha caindo, mas com menor geração de empregos formais, deve voltar a crescer".
O Caged de julho também aponta que a agricultura foi o setor que mais expandiu o nível de emprego naquele mês, com cerca de 18,1 mil postos de trabalho, registrando alta de 1,08% com relação a junho. O setor de Serviços teve o segundo melhor desempenho, com 11,2 mil, mas crescimento mensal de 0,07%. Na sequência o destaque é o setor de Indústria da Transformação, com 7,1 mil postos e variação de 0,09%.
O levantamento ainda demonstra que no acumulado de janeiro a julho foram gerados cerca de 907,2 mil postos de trabalho, uma expansão de 2,29% com relação ao mesmo período do ano passado. Já nos últimos 12 meses o aumento foi de 2,32%, com aproximadamente 918,1 mil empregos.

Paraná
Na estatística do Caged de julho, o Estado aparece na nona colocação em geração de novos empregos, com um saldo de 1,8 mil postos de trabalho. Durante o mês 135,8 mil pessoas foram contratadas, mas 134 mil foram demitidas. O crescimento com relação a junho foi de 0,07%. Em Londrina, desde o início do ano, já foram gerados 5.211 empregos.

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