O consumo no Brasil passou por um processo de interiorização nos últimos 15 anos, com potencial para estimular o desenvolvimento econômico regional e dar competitividade a empresas nacionais, para que disputem mercado com países emergentes como China e Índia. A conclusão é do estudo IPC Maps 1999-2014, do instituto IPC Marketing Editora, que revela que a participação nos gastos nas 27 capitais caiu de 35,5% em 1999 para 32,3% neste ano, à medida que se elevou o poder econômico fora dos grandes centros.
A variação positiva da representatividade do interior, que foi de 64,5% para 67,7% do mercado consumidor em 15 anos, também ocorre quando separada por regiões do País. Houve crescimento no Norte (4,7% em 1999 para 6,0% em 2014), Nordeste (16,5% para 19,5%) e Centro-Oeste (7,1% para 8,5%). Por outro lado, o consumo no Sul passou de 18,1% para 16,8% entre os dois períodos e o do Sudeste, de 53,6% para 49,2%. No comparativo, os gastos com consumo dos brasileiros saltaram de R$ 566 bilhões para o valor previsto de R$ 3,3 bilhões em 2014, ou 483% a mais.
Segundo o estudo, a estabilidade financeira e o aumento da geração de emprego e renda elevaram o potencial de consumo da população brasileira. Após o impulso inicial promovido por programas sociais no consumo local, cidades interioranas, principalmente do Norte e do Nordeste do País, conseguiram se manter em desenvolvimento. Setores empresariais optaram, então, por se instalar fora das capitais, em regiões com mão de obra farta e barata, cenário que facilita a competitividade em pé de igualdade com outros países economicamente emergentes, como China e Índia.
O diretor da IPC Marketing, Marcos Pazzini, afirma que se criou um ciclo virtuoso no consumo no País, com empresas que geram empregos, que elevam a renda para a população, que transforma os recursos em consumo. Porém, afirma que o movimento foi natural e que pouco dependeu de iniciativas públicas. "É importante que os governos federal, estadual e municipal apoiem e incentivem a abertura de empresas em regiões com mão de obra barata, pois além de incentivar o mercado de consumo local, poderão diminuir a importação de produtos que hoje não são competitivos em termos de produção local."
Pazzini conta que o empresário tem custos maiores ao implantar empreendimentos na capital e que hoje há grande contingente de mão de obra no interior. Assim, ao se instalar fora dos grandes centros, gera renda e consumo. "O Brasil tem uma distribuição de população e de potencial de consumo desequilibrado. São 27 capitais com 32,3% do consumo e mais de 5 mil cidades com 67,7%", diz.
Uma maior descentralização poderia ocorrer por meio de incentivos. "Os governantes, com políticas de incentivo adequadas ou menos impostos, poderiam criar mecanismos para que a população não migrasse às capitais atrás de emprego e pudessem ficar em seus domicílios, mesmo que com salários menores, porque a qualidade de vida seria maior", sugere o diretor do IPC.
Para o diretor executivo do Instituto Datacenso de Curitiba, Claudio Shimoyama, houve também ganho na capacidade de consumo das classes socioeconômicas C e D, que estão mais presentes no interior, com a A e a B nas capitais. "O interior vem recebendo mais shoppings, mais lojas de departamento, grandes redes de supermercados, o que mostra como o consumo tem crescido nessas regiões", diz. Ele também vê o movimento como natural e diz que políticas de incentivo poderiam levar empresas ao interior.

Imagem ilustrativa da imagem Potencial de consumo do interior aumenta e atrai investimentos
mockup