Postura de Requião gera polêmica
Curitiba - O acirramento na eleição da Fiep deste ano ganhou ainda mais proporção por causa da interferência do governo do Estado na disputa. Com relações estremecidas com o atual presidente Rodrigo da Rocha Loures, o governador Roberto Requião (PMDB) declarou apoio à chapa de Álvaro Scheffer. Para o candidato à reeleição, é fundamental que a federação faça valer sua independência. Já o oposicionista nega que o governo tenha interferido na eleição e defende que a Fiep tenha um canal aberto com o poder público.
Prova do interesse de Requião na disputa é que o próprio Scheffer admite que o governador articulou a criação de uma chapa para tentar vencer Rocha Loures. ''O governador tinha iniciado a formação de uma chapa, mas como ela não foi efetivada, fomos buscar os integrantes dela para que se unissem a nós'', explica. Entre estes integrantes está o secretário estadual da Indústria e Comércio, Virgílio Moreira. Com o fracasso de sua tentativa, Requião passou a apoiar a candidatura de Scheffer. ''Conseguimos fazer o governador entender nossas propostas e ele nos deu apoio. Mas apoio é diferente de interferência. Somos atrelados à indústria do Paraná e apenas estamos trabalhando para ter um diáolgo aberto e constante com o governo do Estado'', declara Scheffer.
Já Rocha Loures aponta justamente a ''ingerência de setores externos à indústria'' na eleição como o principal motivo para o acirramento da disputa. ''Assessores do governo do Estado estão se sentindo autorizados a ingerir no processo eleitoral e o setor industrial vai ter que mostrar sua independência'', diz o candidato à reeleição. ''A relação da Fiep com o poder público deve ser de respeito mútuo, mas a federação deve fazer valer sua independência e se posicionar institucionalmente mesmo quando as opiniões forem contrárias às do governo do Estado'', completa Rocha Loures.
Na semana passada, a disputa chegou também à Assembléia Legislativa. Na terça-feira, o deputado Jocelito Canto (PTB), que é de Ponta Grossa, mesma cidade de Scheffer, usou a tribuna para dizer que estranhava o apoio de Requião ao empresário. Na quinta, o líder do governo na Casa, Luiz Cláudio Romanelli, levantou suspeitas contra Rocha Loures, afirmando que as prestações de contas da Fiep referentes a 2003, 2004 e 2005 não teriam sido aprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Na sexta, a Fiep reproduziu em seu site uma certidão negativa emitida naquele dia pelo TCU, que indicava não haver nenhuma constatação de contas irregulares referentes a Rocha Loures. Colocou também uma matéria em que afirmava que as contas nem sequer foram julgadas.(R.L.)





