Cláudia Lopes
De Londrina
Depois de aumentar o preço da gasolina para R$ 1,27 no início da semana, a maior parte dos postos de Londrina recuaram, voltando a mexer nas bombas nos últimos dois dias. Agora, as diferenças de preços obrigam os consumidores a pesquisar. Os postos vendem o litro do produto entre R$ 1,04 a R$ 1,29 – o que equivale a R$ 0,25 de variação.
Muita gente está rodando a cidade inteira atrás de preços mais baixos, como o vendedor Antonio Aparecido da Silva. Percorrendo diariamente cerca de 50 quilômetros, ele gasta R$ 10 por dia. A comerciante Maria Cândida Marquesine também pesquisa os preços antes de encher o tanque de 70 litros de seu veículo. Neste caso, a diferença de R$ 0,25 representa uma economia de R$ 17,50 por semana ou R$ 70 por mês.
Não é só o preço que o empresário Paulo Rocha leva em consideração na hora de abastecer. ‘‘É preciso aliar preço com qualidade. Meu carro já teve problemas mecânicos por causa de gasolina ruim’’.
O proprietário da rede de postos 15, Luiz Jorge Bolognesi, disse que a busca pelo preço baixo está ocorrendo em toda a cidade. ‘‘As pessoas colocam R$ 3 num carro com tanque vazio só para conseguir chegar ao próximo posto por causa de variações de centavos. Aliás, qualquer diferença tem desviado a freguesia de um posto para outro. É por isso que, em Londrina, não há condição de trabalhar com preços diferenciados’’, afirmou.
A concorrência acirrada entre os postos está forçando as companhias distribuidoras a baixarem seus preços, segundo Bolognesi. ‘‘Os preços da gasolina nas distribuidoras variam de R$ 0,99 a R$ 1,12’’, disse. Os preços baixos dependem da continuidade dos descontos por parte das companhias. Na semana que vem, a tendência é a retirada das promoções’’.
O empresário Carlos Duim, do Posto Duim, que está vendendo o litro do combustível por R$ 1,09, garante que não vai reduzir mais sua margem de lucro. ‘‘Não consigo baixar para R$ 1,07, como muitos postos Ipiranga, porque teria que vender 120 mil litros por mês para cobrir as despesas’’.
O promotor de Defesa do Consumidor, Hélio Cardoso, disse que a diminuição de preços não isenta de culpa os proprietários de postos que fixaram o valor de R$ 1,27 no início da semana. ‘‘Isso configura formação de cartel’’, afirma, avisando que vai pedir as notas fiscais retroativas aos empresários para verificar se houve alta injustificada de preço.Litro do produto é vendido entre R$ 1,04 e R$ 1,29 em Londrina. Consumidores começam a pesquisar antes de encher o tanque
Cesar AugustoROMARIA PELOS POSTOSAntonio Aparecido está acostumado a ‘rodar’ em busca de preço baixo: ‘‘O ideal seria menos de R$ 1’’

mockup