Os donos de postos de gasolina de Campo Mourão ‘‘ajustaram’’ o preço do combustível no final de semana. Desde a zero hora de domingo, todos eles vendem o produto ao preço único de R$ 0,90 o litro. A medida, que em alguns casos representou um aumento superior a 15%, surpreendeu os consumidores e já gerou reclamações na Coordenadoria de Defesa do Consumidor (Procon). O caso também foi parar no Ministério Público.
‘‘Ainda estamos verificando a denúncia e buscando subsídios para ver se o caso de enquadra como formação de cartel’’, explica o promotor Mauro Sérgio Rocha. Nos postos, ninguém nega a implantação do preço único. ‘‘Não houve aumento, apenas paramos de dar desconto’’, diz Guilherme Kessler. Ele diz que estava vendendo a gasolina a R$ 0,86 e que o aumento para R$ 0,90 - cerca de 5% - ‘‘foi pequeno’’.
‘‘Em alguns postos o preço estava tão baixo que não sei como estavam sobrevivendo’’, ressalta Kessler. Outro empresário do setor, Moacyr Adami, é mais enfático: ‘‘Quem não ajustar o preço vai quebrar’’. Segundo ele, a ‘‘guerra dos preços’’ estava levando os postos à falência e o novo preço fixado só é suficiente para cobrir os custos. Adami estava vendendo a gasolina a R$ 0,87, mas admite que tinha chegado a R$ 0,789 para não ficar atrás dos concorrentes.
Com o preço reduzido, ele conta que conseguiu aumentar as vendas em até 50%, mas seria preciso triplicar o comércio para não levar prejuízo. ‘‘Não aguentei e ninguém mais estava aguentando’’, frisa. Adami diz ainda que a guerra de perços estava levando postos ligados a pequenas distribuidoras a vender gasolina de qualidade inferior, o que estava ‘‘denegrindo o mercado’’. ‘‘Temos uma planilha de custo e o novo preço é o mínimo de sobrevivência’’.
Segundo os donos de postos, o combustível estaria R$ 0,01 mais caro em Campo Mourão devido aos custos de frete. Maria do Carmo de Freitas, responsável por outro posto, diz que estava levando prejuízo quando vendia a gasolina a R$ 0,82. ‘‘Nossas despesas são muito altas’’, conta. Segundo ela, mesmo com o reajuste, os clientes não reclamaram. ‘‘Só quem vem de alguma cidade da região estranha e reclama’’, admite.

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