Brasília - O governo vai exigir que os postos de abastecimento informem diariamente e em ''letras garrafais'' toda vez que o preço do litro do etanol estiver mais vantajoso que o litro da gasolina ao consumidor. Tradicionalmente, se o litro do etanol estiver abaixo de 70% do valor da gasolina, é mais rentável para o consumidor abastecer seu carro com o chamado combustível verde. O objetivo da medida é estimular o uso do álcool.
A estratégia está sendo estudada por um grupo de técnicos dos ministérios de Minas e Energia e Agricultura e da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A expectativa é de que uma portaria seja publicada em breve com detalhes sobre como deve ser a informação nos postos, como, por exemplo, o tamanho mínimo das letras e localização dos cartazes nos estabelecimentos.
''A informação sobre o preço médio sai nos jornais, mas o consumidor nunca sabe se a diferença vale para aquele posto em que está abastecendo'', afirmou uma fonte do governo que acompanha de perto a discussão. ''Além disso, quem vai abastecer e o próprio frentista nem sempre sabem como fazer a conta ou não têm uma calculadora por perto'', acrescentou.
Outra fonte do governo confirmou que a iniciativa está em estudo já há algum tempo. ''É um projeto importante para o consumidor'', avaliou. Como a produção da cana-de-açúcar é cíclica, os preços variam muito ao longo do ano. Os consumidores de São Paulo, Mato Grosso e Goiás costumam ser os que têm mais chance de trocar de combustível por causa da proximidade das plantações. Quanto mais distante, menos competitiva fica a relação com a gasolina por conta do custo com o frete. A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) não quis comentar o assunto.
O governo também pretende divulgar nos próximos dias outra portaria interministerial que definirá o aumento da mistura de álcool anidro na gasolina, de 20% para 25%. A decisão pela elevação já foi tomada há cerca de duas semanas, mas o documento está em processo de finalização, pois deve contar com duas datas de entrada em vigor da nova margem. A primeira, mais conservadora, deverá ser para o dia 1 de junho. Caso a safra seja robusta e a demanda crescente, o novo porcentual de mistura passará a valer antes, em maio ou mesmo abril.
Publicar uma decisão com pelo menos seis meses de antecedência é uma questão estratégica para o governo. A expectativa é de que os agricultores se empenhem em aumentar o processamento da cana em mais 25 milhões de toneladas. Esse montante significaria um volume extra de pouco mais de 2 bilhões de litros de álcool no próximo ano.
O diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio Rodrigues Pádua, não viu o texto final, mas comemora a decisão do governo. ''Com isso, já se definem as regras do jogo. Não dá para começar um processo sem saber para onde se vai.''

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