Postos temem risco com cheque pré-datado
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de julho de 2002
Rosana Félix<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma das maiores facilidades para o consumidor, o cheque pré-datado, é uma verdadeira dor de cabeça para o comerciante. Pelo menos 90% dos cheques sem fundo são pré-datados, segundo dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Esses números são observados na prática nos postos de combustível de Curitiba, que estão tentando reduzir os prejuízos através de cartórios de protestos.
O levantamento da ACSP foi feito com base em uma pesquisa com 210 consumidores. Estatísticas sobre cheque pré-datados não existem porque não é considerada uma forma de pagamento oficial, mas apenas um ''jeitinho'' acordado entre o cliente e o vendedor. Dados do Banco Central mostram que dos 11,5 milhões de cheques que circularam no Paraná no mês de junho, 543,9 mil (4,6%) eram sem fundo, mas não há estimativa de quantos deles eram pré-datados.
De acordo com o sócio-proprietário do posto Iguaçu, Guilherme Tetu, 90% dos cheques que voltavam eram pré-datados. Ele disse que o prejuízo era tão alto que teve que parar de aceitar essa forma de pagamento de desconhecidos. ''Só aceito de pessoas que estão cadastradas comigo'', afirmou. Segundo ele, no momento da compra era feita a checagem de saldo do cliente. ''Na hora estava tudo certo, mas quando o cheque ia cair dali um mês, o cliente não tinha mais saldo e o cheque voltava'', contou. Segundo Tetu, essa medida fez o prejuízo cair cerca de 75%, de R$ 800,00 para apenas R$ 200,00 mensais.
O proprietário do Posto Bacacheri, Newton Gusso, diz que tem um rombo mensal de R$ 3 mil por causa dos cheques sem fundo, sendo a maioria absoluta pré-datado. Para ele, os bancos deveriam criar mais critérios para abrirem contas. Gusso conta que um cliente repassou 20 cheques sem fundo ao posto, de diversos bancos. ''Ele abriu conta em cinco bancos, que é a coisa mais fácil, e recebeu de cada um talão'', reclamou.
Para reduzir os prejuízos dos proprietários de postos, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis) firmou convênio com os cartórios de protestos de Curitiba, São José dos Pinhais e Matinhos. Pelo convênio, o valor de protesto de um cheque de até R$ 100,00 fica apenas R$ 6,00. Mensalmente, cerca de 300 cheques são protestados através da parceria.
Desde maio de 1999 já foram protestados 21 mil cheques. ''Essa é uma grande vantagem que o sindicato conseguiu'', observou Gusso. Mas ele disse que o ideal é que o valor fosse até R$ 150,00. ''Com os preços atuais de gasolina, qualquer carro gasta mais de R$ 100,00, e se der problema o protesto nesses casos é muito caro, quase R$ 30,00'', ponderou.


