Postos temem pela alta do preço e falta de álcool
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quarta-feira, 30 de outubro de 2002
Benê Bianchi<BR>Reportagem Local 
Postos de Londrina estão tendo dificuldades em reabastecer seus tanques de álcool desde o início da semana. A principal queixa é das altas constantes do produto, que tem chegado à revenda com preço próximo a R$ 1,00. O presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese, confirmou que os preços estão altos e, segundo ele, havia postos da bandeira Esso instalados na região metropolitana de Curitiba recebendo o produto a R$ 0,92, ontem.
``Estamos tendo aumentos significativos do álcool, com repasses praticamente diários nos últimos 90 dias``, informou Fregonese. Um dono de posto de Londrina, também da Bandeira Esso, garantiu que ontem comprou o produto a R$ 1,10 da distribuidora. Acrescentando a margem de lucro do estabelecimento, o valor do litro do combustível superaria seu maior preço deste ano, quando chegou ao consumidor a cerca de R$ 1,10. ``Vamos segurar os preços mais um pouco``, disse.
O dono de posto bandeira branca Antonio Marques da Silva, de Londrina, teme que haja problemas de abastecimento. ``Estamos tendo dificuldade de comprar álcool hidratado e podemos chegar ao ponto de faltar gasolina devido à necessidade de misturar 26% de álcool anidro no combustível``, citou.
Ele atribui o problema ao ``alto preço do açÚcar no mercado internacional e desvalorização do real, levando as usinas a darem preferência à produção do açúcar``. A alternativa, disse ele, seria o governo reduzir o índice de álcool anidro na gasolina para garantir o abastecimento de álcool hidratado no mercado interno.
Um vendedor de distribuidora bandeira branca que atende os Estados do Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul que preferiu não se identificar disse ontem à Folha que a empresa para a qual trabalha está sem álcool para revender. Segundo ele, o mercado do produto está ``bastante esquisito``. O vendedor informou que na terça-feira o produto teve duas altas: uma de R$ 0,05 pela manhã e outra no mesmo valor à tarde. ``Acredito que o preço do açúcar no mercado internacional e os rumores de que outros países querem comprar nosso álcool para misturar à gasolina está mexendo com o preço``, arriscou.
Ele disse ainda que, ontem, o valor de tabela para a distribuidora chegou a R$ 1,11. Este seria o custo a ser repassado à revenda (postos de combustíveis) caso a empresa estivesse negociando o produto. O vendedor acrescentou que no Rio Grande do Sul o preço do álcool também disparou e era repassado aos revendedores, na segunda-feira, a R$ 1,13. Ontem, a Folha tentou ouvir a diretora da Associação dos Produtores de álcool e Açucar do Paraná (Alcopar), mas não havia nenhum diretor na entidade para dar entrevista.


