Os donos de postos de combustíveis de Londrina poderão praticar o preço que bem entenderem na venda de seus produtos. A garantia foi dada no final da tarde de ontem pelo delegado da Polícia Federal, Evaristo Kuceki, pelo promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, e pelo coordenador municipal do Procon, Marco Antonio Cito. Eles participaram de uma reunião que durou quase quatro horas na sede do Ministério Público e acompanharam os depoimentos de mais três donos de postos de combustíveis da cidade.
A reunião de emergência foi motivada pela suposta ameaça que sofreu o dono de um posto de combustível da cidade. A ameaça teria acontecido na noite de quarta feira, depois que o empresário decidiu reduzir os preços de seus produtos. Ele foi o primeiro a ser ouvido na tarde de ontem e o depoimento durou cerca de duas horas. O empresário voltou atrás, negando que tenha sofrido a ameaça e disse que havia baixado os preços apenas para fazer caixa para resolver alguns problemas urgentes. Coincidência ou não, ele voltou a praticar nesta quinta-feira os preços anteriores à ''promoção''.
O delegado Kuceki disse que os donos de postos podem se sentir tranquilos e à vontade para fixar os preços dos combustíveis. ''A Polícia Federal e a promotoria vão agir dentro do rigor da lei em caso de ameaça. Não temos nada contra a liberdade de preços; nós somos contra a máfia e o crime organizado. Se houver alguma ameaça, nós vamos agir''. O delegado afirmou também que serão investigadas possíveis denúncias de adulteração de combustíveis.
Com base nos depoimentos que ouviu durante a tarde, Kuceki afirmou que há indícios da formação de cartel na venda dos combustíveis em Londrina. ''O que se nota em Londrina é um direcionamento de preços; as diferenças entre o maior preço e o menor preço são mínimas''. Ele disse que houve redução de preços em alguns estabelecimentos depois que os donos de postos começaram a ser ouvidos no Ministério Público. ''Não há mais justificativa para continuar esse alinhamento de preços; Londrina tem os preços muitos altos e de certa forma até abusiva''.
O promotor Miguel Sogaiar voltou a pedir que os consumidores procurem abastecer nos postos que ofereçam os melhores preços e reafirmou que o dono de posto terá todo respaldo do Ministério Público, do Procon e da Polícia Federal. ''Londrina precisa ter liberdade de preços dos combustíveis; é esse o nosso trabalho hoje e é isso que nós vamos nos determinar cada vez mais.''.
Sogaiar falou também sobre as garantias que serão dadas ao empresários para a liberdade de fixar os preços dos combustíveis e que não haverá tolerância para as tentativas de interferência neste segmento. ''Nós estaremos atentos a qualquer tipo de ameaça, pressão ou coação. E se identificando os cidadãos que fazem esse tipo de pressão, nós iremos pedir a prisão temporária dessas pessoas; quem está ameaçando ou coagindo dono de posto está praticando crime e se for constatada a formação de quadrilha ou de crime organizado, a Polícia Federal vai nos ajudar''.
A suposta ameaça não mudou o cronograma dos depoimentos dos donos de postos no Ministério Público. Outros empresários serão ouvidos hoje à tarde e a sequência de depoimentos prossegue até que todos sejam ouvidos. A conclusão dos trabalhos está prevista para o final do mês.

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