Postos suspeitos de integrar fraude podem ser fechados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A polícia começou a ouvir ontem os depoimentos dos proprietários de postos de combustíveis que eram clientes de Cleber Salazar, proprietário da empresa Power Bombas e suspeito de gerenciar um esquema de fraude nas bombas de combustíveis. Através deste golpe, o consumidor receberia menos combustível do que era informado no marcador. Na prática, o consumidor era enganado ao abastecer.
O delegado Jairo Estorilio, da Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon), ouviu ontem o depoimento de Ângelo de Albuquerque Gobbo, que é proprietário do Posto Arrancadão, localizado em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e do Posto Jockey de Curitiba. Segundo o delegado, ele teria negado as irregularidades mas admitido que era cliente de Salazar há um ano. Ele também afirmado fazer pagamentos mensais de R$ 300 a R$ 400 para manutenção nas bombas.
O advogado de Gobbo, Ademilson Gaspar, disse que vai aguardar a conclusão do inquérito para se pronunciar sobre o assunto. Os dois postos de Gobbo são de bandeira branca.
Até o final da semana, Estorilio pretente ouvir um total de 14 proprietários de postos. Amanhã mais três proprietários de postos devem ser ouvidos. Salazar deve ser ouvido novamente em um novo interrogatório nesta semana. O contador dele também deve prestar depoimento.
Ao todo, os proprietários de 43 postos de combustíveis serão ouvidos pela Polícia, de acordo com informações da Delcon. A previsão de Estorilio é que os depoimentos de todos os empresários demorem cerca de três semanas para serem realizados. A estimativa inicial era que o inquérito fosse concluído em 30 dias, mas devido a complexidade do caso, o prazo deve ser estendido para 60 dias. O inquérito ainda deve abranger a contabilidade dos postos e da empresa de Salazar.
O Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem-PR) apurou, entre os dias 12 e 13 de janeiro, a existência de lacres violados nas bombas de 34 postos de Curitiba e Litoral que eram clientes da Power Bombas. Em 14 deles foram encontrados lacres rompidos, o que levou à interdição de 11 bombas de combustível.
Os postos que tiveram o lacre das bombas rompido podem não ter o alvará de funcionamento renovado. A promotora de Defesa dos Direitos do Consumidor, Cristina Corso Ruaro, não descartou a possibilidade de fechar os postos quando chegar a documentação oficial do Ipem.
A promotora não descartou o envolvimento de outra empresa fabricante de bombas que poderia estar envolvida nas irregularidades. Segundo Cristina, a empresa estava no nome de Salazar até meados do ano passado. Depois disso teve uma alteração no contrato social. A promotora esclareceu que esta empresa, com sede em Ponta Grossa, também está sendo investigada.


