Postos surpreendem e reajustam combustíveis
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sexta-feira, 06 de agosto de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os consumidores foram surpreendidos ontem com o elevado reajuste praticado pelos postos de combustíveis nos preços da gasolina e do álcool. Conforme acompanhamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o preço do álcool teve reajuste de 30% em relação aos preços praticados em julho e o preço da gasolina teve reajuste de 12,5%. Mas nas distribuidoras, o aumento dos combustíveis não foi tão salgado quanto o oferecido ao consumidor.
Na bomba, a gasolina passou de uma média de R$ 2,04 a R$ 2,09 para R$ 2,25 o litro. O álcool hidratado, que custava R$ 1,15 passou em média para R$ 1,35 o litro. De acordo com o Dieese, o álcool passou o mês de julho com um preço médio de R$ 1,04 o litro e a gasolina, em torno de R$ 1,99 o litro. Só esta semana, o preço do álcool já teve dois reajustes, um no início da semana e outro ontem.
O preço do álcool já havia sido reajustado para R$ 1,26 o litro no início da semana. Foi só a Petrobras anunciar que os postos da BR Distribuidora iriam aumentar o preço da gasolina em 1,5% por conta do aumento do preço do álcool, que todos os postos de Curitiba amanheceram ontem com preços reajustados. O problema é que os preços aumentaram acima do esperado em todos os postos da cidade. ''Até parece um jogo arquitetado contra o consumidor'', disparou o economista do Dieese, Sandro Silva.
O pior é que o consumidor não tem a quem recorrer. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) disse, através de sua assessoria, que os preços dos combustíveis são livres e os postos podem reajustar quanto querem. ''Engraçado é que todos reajustam igual'', disse Silva.
Mas nas distribuidoras, o aumento dos combustíveis foi menor. A gasolina que era vendida aos postos por R$ 1,86 o litro passou para R$ 1,89 em média. O álcool vem sendo vendido por R$ 1,10 o litro desde a última terça-feira.
De acordo com a diretora comercial da Distribuidora de Combustíveis Potencial, Luciana Guerino, o preço do álcool subiu 15% na usina há cerca de duas semanas. De acordo com Luciana, as usinas alegaram que estão exportando volume maior de açúcar e está sobrando menos cana para ser transformada em álcool no mercado interno. Mesmo após a alta acentuada, o preço do álcool vem sendo reajustado pelas usinas em cerca de um centavo todos os dias.
Como muitos postos de combustíveis costumam fazer suas compras de álcool num espaço de duas semanas, eles se surpreenderam com o aumento do reajuste, explicou ela. O álcool anidro, que entra com 25% na composição da gasolina, também acompanhou o reajuste do álcool hidratado. ''Mas se fosse assim, o reajuste no preço da gasolina não poderia ser mais do que R$ 0,08 por litro'', calculou Silva, do Dieese.
Para ele, os postos de gasolina aproveitaram o aumento no preço do álcool e o anúncio da Petrobras para promover uma recuperação geral das margens de lucro. ''O consumidor fica indefeso diante de tudo isto'', afirmou. A diretoria do Sindicombustíveis não estava em Curitiba para explicar o aumento praticado pelos postos.


