Os donos de postos de Londrina estão se articulando para um novo acordo de preços, principalmente para o álcool, no momento em que o Ministério Público Federal tenta reduzir os preços dos combustíveis na cidade através de um termo de compromisso de ajustamento de conduta (ler matéria ao lado).
A informação sobre a articulação do setor foi dada ontem à Folha por um proprietário de posto, que preferiu não se identificar por temer represálias. Segundo ele, a partir de hoje a maioria dos postos de combustíveis vai vender o litro do álcool por preços que variam de R$ 1,06, R$ 1,07 e R$ 1,08.
O empresário disse ter sido pressionado para aumentar o preço do álcool ontem. ''Recebi vários telefonemas de outros donos de postos. Eles dizem que o mercado está virando uma bagunça de novo e que é preciso fixar essas três faixas de preços, senão os postos grandes vão vender abaixo do preço de custo, prejudicando a concorrência.''
Alguns postos já alteraram o preço ontem. O Posto Esperança, por exemplo, que anteontem comercializava o litro do álcool por R$ 0,95, passou a vender o produto por R$ 1,06. Anteontem, porém, o posto enviou uma nota de esclarecimento público à Folha em que dizia que ''em resposta objetiva à população, o Posto Esperança irá adotar a postura de praticar o menor preço da cidade, seja a que nível for''.
Na semana passada, o Posto Esperança realizou uma promoção na qual vendeu o álcool por R$ 0,60 e que acabou em tumulto. Foi justamente essa promoção que levou o dono do Posto Manancial, Ilson Gomes de Lima - o único a assinar o termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público Federal - a denunciar o Posto Esperança por abuso de poder econômico, e a pressão que estaria sofrendo por parte de outros empresários do setor para não trabalhar com preços abaixo dos praticados pela maioria dos postos da cidade. A Folha tentou contatar ontem o proprietário do Posto Esperança, Ariovaldo Ferraz Arruda, mas não obteve o retorno da ligação telefônica.

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