Os postos de combustíveis abriram ontem sem saber que índice adotar para o reajuste do preço da gasolina e álcool. O Sindicato dos Combustíveis orientou os estabelecimentos em Curitiba a aplicar a média de 10% de aumento. Em Londrina, a maioria dos postos repassou ao preço da gasolina, álcool e diesel o aumento aplicado pelas distribuidoras. Segundo Pelagio Maluf, diretor regional dos Sindicombustíveis, os aumentos médios das cinco companhias que operam na cidade (Esso, Atlantic-Ipiranga, Texaco, Shell e Petrobrás) foi de 14% no preço da gasolina e de 18,5% no do álcool. Mas alguns aplicaram o aumento sobre o preço final dos produtos, e não apenas sobre o custo das distribuidoras.
Em Curitiba, alguns postos chegaram a reajustar em até 18,5% o preço do álcool - inclusive sobre estoques antigos, o que aconteceu também em Londrina. Mas, segundo o sindicato, os preços devem ser readequados nos próximos dias, determinados pela concorrência.
O presidente do Sindicombustíveis no Paraná, Roberto Fregonese, admitiu que o reajuste autorizado pelo governo federal causou confusão. ‘‘O governo tinha previsto um aumento para as distribuidoras e depois o índice ficou acima’’, afirmou Fregonese. Ele disse que as distribuidoras de derivados de petróleo não estão informando o preço que passaram para os produtos e isso estaria gerando problema.
A dona do posto Marechal, no centro de Curitiba, Cecília Ferreira, também reclamou das distribuidoras. ‘‘Está uma confusão. A gente não sabe que preço colocar na bomba’’, protestou. Ao abrir o posto pela manhã, o posto Marechal tinha aplicado um aumento de 10,9% sobre o preço da gasolina e de 17,9% sobre o preço do álcool.
O Posto Rosane, no bairro Cristo Rei, aumentou em 10% o preço do álcool e da gasolina. O litro da gasolina saltou de R$ 0,664 para R$ 0,729. O álcool, que custava R$ 0,539, foi para R$ 0,593. ‘‘Seguimos o que orientou o sindicato’’, afirmou o gerente Alexander Kely.
Outros dois postos pesquisados (Curitiba e Álamo) preferiram esperar o mercado se adaptar para depois saber de quanto deveria ser o reajuste. Os funcionários dos dois estabelecimentos informaram que os donos não sabiam o percentual que deveriam adotar no reajuste. Acabou prevalecendo a pesquisa entre os concorrentes. Os proprietários de postos se comunicavam entre si para saber de quanto poderia ser o reajuste.
O aumento do preço dos combustíveis não provocou corre corre dos consumidores. Muitos sequer perceberam o reajuste. ‘‘Depois da liberação dos preços a gente nunca sabe se está pagando o que é justo’’, disse o comerciante Jairo Comaseto. O reajuste dos combustíveis pegou o comerciante com o tanque de seu carro vazio. O litro do óleo diesel comum subiu 9,45% e o aditivado subiu 9,55%. O diesel ainda tem o preço tabelado pelo governo.
O diretor regional do sindicato em Londrina, Pelágio Maluf, que também é proprietário do Posto Contour, diz que os índices de 14% e 18,5%, adotados pela maioria dos postos em Londrina, valem para os combustíveis comuns. ‘‘A gasolina aditivada subiu cerca de 16% e o álcool aditivado cerca de 20%’’, diz. No Posto Contour, o preço da gasolina comum passou de R$ 0,659 para R$ 0,763, e o álcool comum de R$ 0,519 para R$ 0,575. Segundo Maluf, o reajuste do óleo diesel comum foi de 8,2%.
O diretor regional do Sindicombustíveis diz que a maioria dos postos repassou os aumentos também sobre os estoques. ‘‘Quem não tinha estoque ficou no prejuízo já que vendeu no preço velho e agora vai ter que comprar no preço novo’’, diz. Maluf afirma que, se os postos não repassassem o aumento sobre o combustível estocado, ficariam descapitalizados para repor o estoque.
Brasílio Andrade, proprietário do Posto Londrilar, diz que reajustou o preço da gasolina em cerca de 14% e o do álcool em 17%. ‘‘Só vou saber o preço real da distribuidora amanhã, quando for comprar combustível’’.
De dez postos consultados pela Folha, apenas dois não aumentaram os preços dos combustíveis - o Esperança e o Tiradentes. A estratégia de ambos é atrair consumidores e convertê-los em clientes. Ariovaldo Ferraz Arruda, proprietário do Posto Esperança, tem 250 mil litros de combustíveis estocados. Segundo ele, esta reserva daria para até dez dias em época normal.
O Posto Tiradentes também tenta atrair consumidores com a estratégia de não mexer no preço. Segundo o gerente Gilson Paludetto, o estoque do posto deve durar até sexta-feira. ‘‘Enquanto não acabar, não vamos aplicar nenhum aumento’’, garante.

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