O governo federal deve anunciar nos próximos dias mais um aumento de preço dos combustíveis. O novo reajuste tenta reverter os efeitos da defasagem cambial e acompanhar o aumento do preço do barril de petróleo no mercado internacional, decorrente da redução na produção do produto determinado pela OPEP - Organização dos Países Produtores de Petróleo. Os revendedores acreditam que o aumento deva ser autorizado até, no máximo, dia 15 de abril e fique em torno de 10% a 12%.
O presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, alerta que os empresários do setor entendem os motivos do reajuste, mas temem que ele possa causar desemprego, pois a retração de consumo ocasionada com o aumento de fevereiro, ainda não foi bem assimilada pelo mercado.
Apesar do valor do dólar estar caindo, o setor petrolífero precisa reajustar seus preços. O preço do barril no mercado internacional aumentou de US$ 11,00 para US$ 15,65, de acordo com a cotação do dia 29, em virtude da redução na produção mundial do produto. Como o preço do barril do petróleo no mercado interno é cotado também em dólar, não resta outra alternativa ao Conselho Nacional do Petróleo - CNP que não seja aumentar o preço dos combustíveis para evitar que o governo federal volte a subsidiá-lo.
Roberto Fregonese acredita que a decisão de aumentar o preço dos combustíveis é política, uma vez que ela é inevitável, só restando saber quando irá acontecer. ‘‘Os revendedores estão ainda sentindo os efeitos do último aumento. A retração de consumo foi sentida por todos. Um novo reajuste deve diminuir ainda mais o consumo, o que pode ocasionar demissões nos postos de combustíveis’’, acredita o presidente do Sindicombustíveis.
Roberto Fregonese diz que o custo da gasolina para os postos hoje é de aproximadamente R$ 0,86 o litro, e que margem de lucro bruta é de cerca de R$ 0,13 a R$ 0,15 por litro para os proprietários de postos. Com a redução da margem de lucro nos últimos anos os postos partiram para outras alternativas, como lojas de conveniência e o sistema self-service.
O presidente do Sindicombustíveis observa que o Brasil está tentando reverter a tendência mundial, que é do self-service, para evitar demissões em massa, mas não tem como segurar por muito tempo mais. A extinção da função de frentista ocasionaria demissões de cerca de 32 mil funcionários, que trabalham nos 2.300 postos de combustíveis do Paraná. A média paranaense na venda de combustíveis é de cerca de 154 mil litros por posto, que totaliza um consumo mensal de 360 milhões de litros de gasolina, álcool e óleo diesel.

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