Postos perdem desconto e elevam gasolina
Israel Reinstein
De Curitiba
Até o fim do ano, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (SindiCombustíveis-PR) estima que o preço da gasolina deverá atingir a marca de R$ 1,50, nas grandes e médias cidades do Estado. A alta, na avaliação do presidente do sindicato, Roberto Fregonese, será puxada pelo fim do subsídio do álcool e dos abatimentos oferecidos pelas distribuidoras.
Segundo Fregonese, a eliminação do subsídio deve refletir em um aumento na gasolina de cerca de 17%. Quase um terço da composição do combustível é de álcool, o que deve ocasionar um reajuste indireto na gasolina, avisa.
Por enquanto, vem refletindo pouco nas bombas dos postos, atingindo num primeiro momento as distribuidoras. Isso porque o álcool que está sendo comercializado ainda é estoque antigo. Mas a previsão é que ocorra um aumento significativo, saindo de R$ 0,48 para R$ 0,60 o litro.
Fregonese acredita que todas essas altas deverão acabar provocando novos reajustes de preços, já que os postos terão que readequar as planilhas de custos. Os estabelecimentos estão com margens de lucro pequenas, por isso não vão repassar qualquer centavo perdido, afirma.
Esse comportamento já pode ser visto com o fim dos descontos oferecidos pelas distribuidoras. Desde sexta-feira, as empresas do setor não estão concedendo qualquer tipo de abatimento, por entender que os resultados dessas promoções são pequenos. Há quatro meses, as distribuidoras vêm operando no vermelho, afirma.
Como reação natural, prossegue Fregonese, as distribuidoras deixaram de concorrer no mercado. Sem o abatimento, já havia estabelecimentos de Curitiba com novos preços nas bombas, saltando da média de R$ 1,18 por litro de gasolina para R$ 1,269, com alta de cerca de 7,6%. Fregonese entende que mesmo com esta alta, os preços estão abaixo de taxas históricas. Para ele, o valor na bomba tinha que ser de cerca de R$ 1,28 (US$ 0,65) a R$ 1,47 (US$ 0,75).
Esse preço evitaria que o governo comprometesse o equilíbrio fiscal e financeiro, afirma. Fregonese entende que o patamar mínimo da gasolina na bomba hoje tinha que estar em R$ 1,35, sem que afetasse o déficit da União. Este ano, a gasolina teve um reajuste nos EUA de 25%. No Brasil, mesmo com uma desvalorização de 64%, os reajustes são menores, afirma.





