Donos de postos de combustíveis de Londrina não garantem a redução do preço da gasolina para o consumidor final, como anunciou anteontem o governo federal. Eles alegam que o custo pode não cair na refinaria, ao contrário do que afirma o governo, e que já operam com margens de lucro apertadas. Na quarta-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou que haverá uma queda de 5,4% no preço da gasolina na refinaria em abril.
O diretor em Londrina do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Estado do Paraná (Sindicombustíveis), Valter Sasso, lembra que, no final do ano passado, o governo anunciou que teria uma redução de preço em abril próximo. ‘‘Mas em fevereiro, o governo voltou atrás e falou que não seria possível uma alteração no primeiro semestre, em decorrência da conjuntura. Agora o mesmo governo anuncia a redução. Não dá pra saber se está falando a verdade.’’
O empresário diz que prefere esperar para ver o que vai acontecer, mas adianta que os postos não têm mais como reduzir qualquer preço. ‘‘Em Londrina, o preço da gasolina já é mais barato do que na refinaria, onde fica em torno de R$ 1,40’’.
O presidente interino do Sindcombustíveis do Paraná, Eldo Ramos Bortolini discorda do diretor da entidade de Londrina. Mesmo sem saber precisar o percentual, ele afirma que o consumidor será beneficiado com a medida anunciado por FHC. ‘‘A refinaria repassará a redução para a distribuidora, que irá transferí-lo aos revendedores. É nosso interesse vender mais barato, para vendermos mais gasolina’’, diz Bortolini.
Já o proprietário de posto Sérgio Senise considera que o setor não tem como baixar mais os preços. ‘‘Os postos estão trabalhando no negativo. É impossível fazer alterações.’’ O também proprietário de posto Dirceu Faquim está um pouco mais otimista. ‘‘As distribuidoras devem repassar essa queda para os revendedoras. Se houver redução, ela vai para as bombas. Isso se o anúncio do governo não for uma grande piada.’’
InflaçãoSe houver de fato uma redução do preço da gasolina nos postos de combustíveis de, em média, 4,2%, a partir do dia 6 de abril deverá haver para a inflação algum efeito positivo. A avaliação é da analista Marcela Prada, da Tendência Consultorias Integradas. O rebaixamento do preço do combustível terá a seu favor um fator important: a determinação do governo para que todos os postos da rede Petrobras promovam a redução, o que segundo a economista da Tendências, poderá desencadear uma guerra entre os postos, que por sua vez deverão forçar os fornecedores a repassarem para o consumidor a redução nas refinarias.

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