Postos não devem fechar de madrugada
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quarta-feira, 20 de junho de 2001
Agência EstadoDe Brasília 
O vice-presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), Aldo Guarda, afirmou ontem que está praticamente descartado o fechamento dos 19,7 mil postos de gasolina, durante a madrugada, nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Essa proposta foi defendida pela entidade junto à Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE) e atacada pelas distribuidoras de derivados de petróleo. Os auxiliares do presidente Fernando Henrique Cardoso engavetaram essa medida em função dos resultados obtidos com a economia de energia por parte da população nos primeiros dias do racionamento.
Ontem, Guarda explicou que a estabilização dos níveis dos reservatórios também influiu na decisão de manter as revendas em funcionamento entre 22 horas e 6 horas. O empresário frisou que o objetivo era permitir uma redução maior dos gastos de energia elétrica.
O principal ponto de divergência entre distribuidores e revendedores deveu-se ao fato de que a Fecombustíveis queria tratamento isonômico para todo o setor. Ou seja, defendia o fechamento de todas as revendas, sem exceção.
Para o diretor de Defesa da Concorrência da Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Alísio Mendes Vaz, a proposta das revendas impunha diretrizes para os empresários que trariam prejuízos à economia desses postos de combustíveis.
Vaz disse que o setor deve reduzir o consumo de energia entre 30% e 40%. Os consumidores que precisam abastecer seus carros da madrugada, como por exemplo os motoristas de táxi, devem ser levados em consideração, avaliou. A imposição do fechamento seria uma medida antipática.
O diretor do Sindicom avaliou que apenas os postos que vendem gás natural veicular (GNV) não devem cumprir a meta fixada pelo GCE. Isso porque os equipamentos gastam uma quantidade maior de eletricidade se comparados com as bombas convencionais. Vaz informou que 90% dos gastos de energia das revendas são provenientes dessas unidades de abastecimento dos carros.
Isso já foi levado ao conhecimento da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e estamos aguardando uma revisão da meta, explicou Vaz. O executivo aguarda por uma solução do governo. O Sindicom encaminhou uma carta à GCE na qual defende o funcionamento dos postos durante 24 horas.
Vaz e Guarda participaram ontem de audiência na Câmara dos Deputados sobre a abertura do mercado de petróleo e a criação do impostos que vai substituir a Parcela de Preço Específica (PPE). Guarda informou que a proposta do fechamento dos postos durante a madrugada ficará mais para frente.


