Postos lançam ofensiva para sair da responsabilidade dos aumentos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de março de 2018
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 

O Sindicombustíveis-PR (Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná) abriu ofensiva para justificar o aumento nos preços da gasolina, etanol e diesel. Um site chamado Verdade Sobre o Combustível foi lançado para explicar os reajustes, com o objetivo de livrar os postos da responsabilidade dos reajustes.
A iniciativa foi tomada na semana passada, em reação à mudança na política de divulgação dos preços dos combustíveis pela Petrobras. Desde junho do ano passado, após o aumento dos tributos sobre os combustíveis pelo governo federal, o preço médio dos combustíveis disparou.
Em Londrina, o valor da gasolina de R$ 3,67, em média, em pesquisa realizada no dia 26 de julho do ano passado pelo Procon, para R$ 4,10 em 26 de fevereiro de 2018 - um aumento de 11,7% no valor médio do combustível. As mesmas pesquisas indicam um reajuste do valor médio do etanol de R$ 2,63 em 26 de julho de 2017 para R$ 3 em fevereiro deste ano, um aumento de 14%.
Porém, ao se comparar com a pesquisa feita pelo órgão de defesa do consumidor em 31 de maio de 2017, a última antes do aumento de impostos, a gasolina em Londrina encareceu, em média, 20,9% e o etanol, 24,5%.
O diretor de comunicação do Sindicombustíveis, Fábio Teixeira, argumenta que as distribuidoras repassam altas dos combustíveis para os postos com uma agilidade que não é vista quando há retração no valor do litro.
A versão dos postos
Teixeira afirma que o site é uma forma de explicar à população a formação de preços dos combustíveis, a fim de justificar que as altas não são culpa do varejo. "Há alguns dias, houve manifestação do [ministro-chefe da Casa Civil] Moreira Franco, dizendo que pediria para que o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] fiscalizasse os postos de combustíveis. E a própria mudança de política de preços da Petrobras veio para dificultar o entendimento da população. Nós nos sentimos na obrigação de desfazer esses equívocos", diz.
No site, o Sindicombustíveis diz que a rede varejista "sofre tanto com esta alta como toda a sociedade, uma vez que preços altos inibem o consumo e prejudicam toda a economia". E complementa: "Em todo o Brasil os preços estão elevados, devido a uma soma de fatores: aumentos na carga de impostos (federais e estaduais), à nova política de preços da Petrobras e aos repasses das distribuidoras."

O site traz ainda a composição dos preços médios da gasolina comum no Paraná, demonstrando em gráfico o quanto cada imposto influencia no preço final. Para o Sindicobustíveis, é uma injustiça "direcionar aos postos, que também são vítimas, os questionamentos sobre as altas recentes. Estes questionamentos devem ser dirigidos ao governo federal, Petrobras e distribuidoras".
Procurada, a Petrobras informou que alterou a forma de divulgação do valor de venda dos combustíveis na refinaria, "tonando mais transparente a composição do preço dos combustíveis ao consumidor" - desde então, ao invés de informar a variação em percentuais, passou a dar o valor do litro, mas sem a incidência de impostos. "Como exemplo, o preço médio do litro da gasolina é de R$ 1,54 e do diesel R$ 1,73 praticado pela Petrobras amanhã (quinta-feira, 15) nas refinarias e terminais do Brasil". A consulta pode ser feita por qualquer pessoa no site da companhia estatal.
A FOLHA também procurou nesta manhã o Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes), mas, até o fechamento da reportagem, não havia obtido retorno. O mesmo ocorre com a Secretaria-Geral da Casa Civil do governo federal, também citado no site.


