Postos já pagam mais caro pelo álcool
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quarta-feira, 23 de outubro de 2002
Benê Bianchi<br>Reportagem Local 
Postos de Combustíveis de Londrina começaram ontem a receber álcool ao preço de R$ 0,92 o litro, frente aos R$ 0,75 praticado no início do mês, representando um aumento de cerca de 22% em apenas 23 dias. O preço ao consumidor continuava entre R$ 0,97 e R$ 0,99, mas a previsão é que seja por pouco tempo.
Dois postos da bandeira Esso confirmaram ontem que foram surpreendidos pela companhia distribuidora ao receberem o produto com preço tão elevado. Sem querer se identificar, os proprietários dos dois estabelecimentos informaram que o combustível pode ultrapassar R$ 1,10 por litro nos próximos dias. ''O pior é que nós saímos como vilões nessa história'', reclamou um deles. Segundo os empresários, a margem mínima de lucro para que os estabelecimentos mantenham as portas abertas é de R$ 0,20 por litro de combustível vendido.
Um outro proprietário de posto bandeira Shell , que também não quis se identificar, informou que comprou o álcool da distribuidora ao preço de R$ 0,82, mas já foi informado que haverá aumento. ''A companhia avisou que não vai segurar esse preço por muito tempo'', afirmou, acrescentando que o ICMS do álcool é cobrado sobre o preço de R$ 1,12 por litro e o da gasolina, sobre R$ 1,94.
O aumento estaria ocorrendo porque as usinas de álcool estão subindo o preço do produto. A informação foi confirmada por um assessor de vendas do combustível no Norte do Estado outro que não quis se identificar com medo de represálias por parte das usinas. ''Comprei álcool hoje (ontem) a R$ 0,65 o litro, mas na semana passada estava pagando R$ 0,62. E já me avisaram que amanhã (hoje) vai ser vendido a R$ 0,67'', garantiu.
O preço do litro do álcool chega à revenda (postos de combustíveis) acrescido de imposto de 18% (ICMS), valor pago pelo frete e lucro das distribuidoras. Os postos acrescentam seus custos e margem de lucro para repassar o valor ao consumidor final.
A Folha tentou ouvir, ontem, a direção da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar (Alcopar) e Central de Produtores de Álcool (CPA) sobre o aumento no preço do produto. Nas duas entidades, a informação foi a de que os diretores estavam em viagem. Em recente entrevista à Folha, o superintendente da Alcopar, Paulo Zanetti, havia informado que as usinas estavam apenas recuperando o preço do álcool praticado no início do ano. O produto, segundo ele, teve uma redução de preço de maio a julho devido ao pico da safra de cana. A safra termina em dezembro.


