Postos em Londrina 'furam' acordo
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quarta-feira, 09 de agosto de 2000
Cláudia Lopes e Vânia Casado De Londrina e Curitiba 
Em Londrina, as margens de lucro dos postos estão bem acima da determinada pelo governo. Os estabelecimentos pagam cerca de R$ 1,37 pelo litro de gasolina e R$ 0,87 pelo litro do álcool nas distribuidoras, revendendo os produtos por até R$ 1,67 e R$ 1,07, respectivamente. Isso significa margens de lucro de R$ 0,30 na gasolina e de R$ 0,20 no álcool.
O diretor do Sindicombustíves em Londrina, Valter Sasso, defende que a categoria não conseguiria sobreviver com uma margem de R$ 0,15. Quando o preço da gasolina era tabelado, tínhamos uma margem de lucro de 16%. Estes R$ 0,15 representam uma margem de 10%, reclamou.
Para diminuir o preço do combustível, Sasso afirma que o governo deveria aumentar o índice de álcool na gasolina e não diminuir. Mas eles fazem o contrário. Não dá para entender, reclamou. Conforme pesquisa de preços feita ontem pela Folha em dez postos em Londrina, o preço da gasolina varia de R$ 1,63 a R$ 1,67 e, o do álcool, de R$ 1,03 a R$ 1,07.
CuritibaO presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Roberto Fregonese, afirmou ontem em Curitiba que os postos dos grandes centros do Paraná vão cumprir o acordo firmado anteontem entre o governo e a Federação do Comércio Varejista de Combustiveis. O acordo limita a margem bruta na venda da gasolina em R$ 0,15 por litro. Fregonese frisa, porém, que não se pode exigir a mesma posição dos postos dos pequenos centros, onde o volume de vendas é inferior a 50 mil litros de gasolina por mês e uma margem como essa quebraria qualquer posto.
Segundo Fregonese, a margem bruta dos postos de Curitiba é ainda inferior ao acordo. Aqui, onde o preço médio do combustível é de R$ 1,44, a margem bruta varia de R$ 0,09 a R$ 0,11 por litro, já que o litro é comprado por R$ 1,35 a R$ 1,38 na refinaria.
Em Curitiba, a média de vendas de combustíveis nos postos de gasolina é de 180 mil litros por mês. No Paraná, essa média cai para 115 mil litros por mês. Para um posto que vende entre 40 a 60 mil litros por mês, a margem bruta sinalizada pelo governo permite um faturamento bruto de no máximo R$ 5 mil com a venda de combustíveis.
Para Fregonese, o governo também deveria participar desse acordo e reduzir a cobrança de tributos, que é o que realmente onera o custo do combustível. Ele destaca que só o governo estadual, leva R$ 0,42 por litro em ICMS. O empresário disse que a planilha de custos do combustível não é muito clara, mas alega que de cada dois litros de gasolina vendidos, um paga impostos.
O presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Gil Siuffo, afirmou ontem que 80% do mercado de postos do País, englobando os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, já praticam margens de lucro abaixo de R$ 0,15 por litro de gasolina. Por isso, a federação não irá recomendar nestes casos a redução da margem de lucro. Poderíamos ser acusados de cartelização.


