Postos em Apucarana 'duelam' no preço e consumidor ganha
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quarta-feira, 10 de outubro de 2001
Maurício Borges<br> De Apucarana 
Donos de postos de combustível em Apucarana dizem que a guerra de preços deflagrada no mercado local poderá desencadear uma onda de falências no setor. Cerca de cem funcionários de postos foram demitidos nos últimos dois meses e o processo ainda não foi estancado, afirmam. Atualmente, Apucarana mantém os preços mais baixos de todo o Estado: a gasolina custa R$ 1,54 e o álcool, R$ 0,76. Nos principais centros paranaenses, o preço da gasolina está oscilando entre R$ 1,80 a R$ 1,85, enquanto que para o álcool é de R$ 0,95.
Ontem alguns proprietários de postos de combustíveis de Apucarana avaliaram a possibilidade de paralisar temporiamente suas atividades. ''Fazendo os cálculos, alguns chegam a conclusão que não dá para ficar trabalhando, acumulando prejuízo enquanto espera-se por uma solução na complicada situação do mercado local'', disse Valdir Brambila, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis de Apucarana (Sindicombustíveis).
Indagado porque a concorrência de preços não acontece em relação ao diesel, Brambila explica que este combustível ''não aceita mistura'' e sua sonegação fiscal é mais difícil. Já com relação à gasolina ele avalia que existem duas possibilidades de situações irregulares. ''Em primeiro lugar a gasolina pode ser adulterada e, além disso, existem ainda algumas distribuidoras que, por força de liminares, deixam de recolher o ICMs e podem vender a preço inferior''.
Quanto ao álcool, ele admite que a disputa de preços também pode acontecer, porque existe muita sonegação. ''Tais irregularidades podem até existir, mas nós não temos provas concretas disso e não podemos denunciar'', frisa o diretor do Sindicombustíveis, acrescentando que ''os mecanismos legais já foram acionados''.
Brambila, que é proprietário de dois postos em Apucarana, um com bandeira da Ypiranga e outro da Petrobrás, avalia que a curto prazo a guerra de preços é boa para os consumidores. Porém, anuncia que a médio e longo prazo deve ser um péssimo negócio para todos e inclusive para a cidade. ''Além do problema social causado pelas dispensas de funcionários, logo todos irão notar a diferença com a demora no abastecimendo e queda na qualidade de atendimento''. Para ele, se a situação perdurar, logo ninguém irá oferecer cafezinho e ducha grátis, porque vai ser indispensável reduzir custos para se manter em funcionamento.
Em Apucarana a disputa pelos clientes, com oferta de gasolina e álcool a preços mais baixos foi deflagrada por uma rede de postos. Os concorrentes fizeram campanha de esclarecimento sobre a qualidade dos combustíveis, mas depois tiveram de se render à política de preço no mercado.
Ontem um gerente regional de vendas da Petrobrás no Paraná esteve na cidade para uma reunião com quatorze proprietários de postos que mantêm a bandeira da empresa. O objetivo do encontro foi avaliar a complicada situação do mercado local e sugerir algumas estratégias. A imprensa não teve acesso à reunião.
Brambila diz que com margem de lucro de R$ 0,06 a R$ 0,07 não há como pagar pelos custos da estrutura física e funcional.


