Postos elevam preço do álcool
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sexta-feira, 22 de outubro de 2004
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
O escândalo da sonegação e falsificação de documentos relativos ao comércio de álcool combustível, em Londrina, desencadeou o aumento do produto nos postos pertencentes aos empresários presos pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Segundo um concorrente, que preferiu o anonimato, a prática desses crimes e o nome dos autores eram conhecidos no ramo. ''Todos sabiam, mas faltavam provas. Depois da prisão, acredito que eles tomarão mais cuidado, mas isso não durará muito. Pelo menos, por hora, a competição em matéria de preço é menor'', disse.
Ontem, a reportagem da Folha percorreu um terço dos postos afetados pelo aumento 'surpresa' e constatou que a maioria dos consumidores preferem preço à qualidade. No Posto 15, da avenida Duque de Caxias, pertencente a Luís Bolognesi um dos suspeitos e que ainda está detido , o litro do álcool subiu duas vezes esta semana. Na terça-feira, o produto custava R$ 1,15 e, ontem, chegou a R$ 1,24. Mesmo assim, a fila das bombas era grande porque, comparado aos concorrentes, o estabelecimento ainda vendia o produto mais barato. Na cidade, o litro do álcool varia de R$ 1,23 a R$ 1,39.
Para a corretora de seguros Marcia Guedes, a garantia de qualidade do combustível é medida pelo desempenho do carro e a necessidade de reparos. ''A primeira vez que abasteço num posto muito barato sempre fico ressabiada. Se não perceber diferença continuo freguesa porque, em qualquer lugar, o consumidor é sempre o mais prejudicado mesmo'', justificou. Na opinião do representante comercial Valdecir Tomé o esquema desrespeitou o consumidor. ''Sempre ouvi dizer que os postos na beira da estrada são os mais arriscados. Por isso, evito ao máximo parar num deles''.
No Posto Aeromax, vizinho ao aeroporto e pertencente a Maxwell Pavesi também detido , o litro do álcool saltou de R$ 1,29 para R$ 1,35 na quarta-feira. De acordo com uma funcionária, essa alteração derrubou o movimento em cerca de 30%. Muito perto dali, o Auto Posto Alvorada, localizado à margem da avenida Brasília, sofria com a tabela 'imbatível' praticada pelo concorrente que, hoje, está na Casa de Custódia. Segundo o gerente Armando Alves, a fila do vizinho sempre foi maior por causa do preço. Hoje, ambos vendem o litro do álcool a R$ 1,23. ''Há três dias, nosso álcool custava R$ 1,20, mas fomos obrigados a aumentar o valor porque a distribuidora também elevou o preço. É melhor reduzir o número de clientes do que trabalhar no prejuízo'', afirmou.


