Curitiba - A queda nos preços dos combustíveis nos postos de Curitiba e Londrina levaram o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis no Paraná (Sindicombustiveis-PR) a solicitar fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A entidade suspeita que estabelecimentos das duas cidades estejam usando metanol, substância altamente tóxica e de comercialização proibida, misturado ao etanol.
Segundo o presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, há evidências de uso de metanol tanto em Londrina como em Curitiba. A prova de que ''há irregularidade no mercado'', de acordo com ele, é que nestas duas cidades há postos que estão vendendo o álcool a preços abaixo do que os revendedores pagam às companhias distribuidoras, entre R$ 1,74 a R$ 1,90 o litro do etanol.
Nos postos de Curitiba, o álcool é vendido a até R$ 1,65 o litro. Usando o metanol, segundo Fregonese, os fraudadores conseguem colocar no mercado um produto que tem custo de R$ 0,62 por litro, enquanto o etanol sai a cerca de R$ 1,20 das usinas.
A queda dos preços da gasolina nestas cidades nos últimos dias também é um indício de irregularidade. Em Curitiba, o litro de gasolina, que estava em média R$ 2,59, hoje pode ser encontrado a menos de R$ 2,30. ''Tecnicamente não há nenhuma explicação para a redução, acredita-se que seja a incidência de produtos sem nota fiscal'', diz.
Nesses casos, explica, é comum que alguma rede de postos tenha uma ''reação'' aos baixos preços, e comece a revender seus produtos também com preços mais baixos. ''As redes diminuem os preços em um local mas vão aumentar em outras praças, para poder subsidiar as perdas onde estão em guerra'', explica. Para ele, essa situação só vai ser revertida quando houver mais fiscalização no País.
Segundo a ANP, o metanol é uma substância altamente tóxica. O produto já foi permitido como combustível no Brasil, durante um período em 1989, quando a importação foi autorizada devido à falta do etanol. Nos Estados Unidos, já serviu como combustível da Fórmula Indy. Ao entrar em combustão, produz uma chama invisível e pode levar à morte se ingerido em quantidades superiores a duas colheres de sopa ou causar cegueira caso entre em contato com os olhos.
Neste mês, ANP já interditou postos e distribuidoras em São Paulo e Rio de Janeiro, onde foram encontradas amostras que apontaram o uso do metanol misturado ao etanol, em proporções que chegaram a atingir 97%. Diante da situação, a ANP e Ministério Público Federal, reunidos no início do mês, decidiram que o combate a esse tipo de fraude seria prioritário.

mockup