Postos: depoentes confirmam coação
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de julho de 2001
Cláudia Lopes De Londrina 
Dois depoimentos provocaram uma reviravolta no inquérito que apura denúncia de formação de cartel no setor de combustíveis em Londrina, segundo o delegado operacional da 10ª Subdivisão Policial, Márcio Amaro. Os declarantes trouxeram novos elementos a serem investigados no caso, disse Amaro, que preferiu não revelar os nomes dos depoentes como medida de segurança. Os dois foram ameaçados.
Além da formação de cartel no setor, o inquérito investiga a coação por parte de donos de postos contra empresários que querem trabalhar com preços abaixo da média praticada em Londrina, que é R$ 1,77 (gasolina) e R$ 1,07 (álcool).
Os depoimentos reacenderam o inquérito que havia perdido força na semana passada depois que o dono do posto Tiradentes, o gerente e um funcionário negaram as acusações de que teriam sido coagidos a reverter a redução dos preços no último dia 20. O caso estava praticamente encerrado. Agora, o funcionário e o gerente do posto, que estavam no local na hora do fato, estão sujeitos a responder por falso testemunho, disse Amaro.
O delegado acredita que alguns donos de postos de Londrina estejam sofrendo pressão de outros posteiros para não baixarem os preços. O constrangimento contra um dono de posto já está caracterizado, afirmou Amaro, que já sabe alguns nomes de donos de postos que teriam participado das coações.
No dia 20, o Posto Tiradentes baixou seus preços para R$ 1,70 (gasolina) e R$ 0,99 (álcool). O posto voltou a praticar os preços anteriores no mesmo dia, de R$ 1,77 e R$ 1,07, depois que empresários do setor foram ao local fazer pressão. A cena foi testemunhada por várias pessoas.
O delegado Márcio Amaro acredita que o caso tenha ligação com o atentado sofrido pelo dono do Posto Carajás, Emilio Santaella, que teve a casa e carros baleados em maio passado em Londrina. Vou cruzar as informações porque tudo indica que há vínculo entre os dois casos, afirmou. Em um dos depoimentos de ontem, o declarante disse ter ouvido de um empresário do setor que alguns donos de postos tinham contratado um terceiro para eliminar quem se colocasse contrário ao preço mínimo por eles estabelecido.
Hoje, às 10 horas, o Procon de Londrina lança uma campanha de conscientização para esclarecer a população sobre a importância de exigir nota fiscal dos postos de combustíveis.


