Três proprietários de postos de combustível de Londrina afirmaram que empresários honestos estão sendo prejudicados por um grupo de revendedores que adulteram produtos, sonegam impostos e vendem quantidades inferiores de combustível do que é registrado na bomba. Eles preferiram ter suas identidades não reveladas, temendo retaliações.
''Não são empresários; são bandidos'', acusou o presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese, para quem ''um terço'' dos donos de postos de Londrina praticam atos ilícitos e até criminosos em sua atividade.
A fama de desonesto começou com as investigações do Ministério Público e do Procon sobre denúncias de cartel em Londrina; empresários foram processados e presos.
''Aonde vamos somos taxados de corruptos, bandidos, mas não é isso'', afirmou um dos empresários que procurou a FOLHA esta semana. ''É essa a nossa imagem porque há duas semanas o álcool custava R$ 1,45, agora está sendo vendido a R$ 0,99. O consumidor não entende como isso acontece'', acrescentou outro revendedor. Os três entrevistados confirmaram que também baixaram seus preços em razão da concorrência. O litro do combustível a R$ 0,99 é considerado um preço ''completamente artificial'', tanto pelos empresários quanto pelo Sindicombustíveis.
Para provar o preço artificial, o grupo de empresários apresentou notas fiscais que demonstram o preço que pagaram pelo produto. Nota emitida por uma distribuidora em 18 de março aponta que o álcool custou ao comprador R$ 1,2327. Foram adquiridos pelo empresário 5 mil litros a R$ 6.163,29, incluído o ICMS. Nesta época, o preço de venda do álcool era de R$ 1,45, aproximadamente. Recentemente, a mesma distribuidora vendeu 10 mil litros de álcool pelo preço de R$ 0,9009 o litro, incluído o imposto.
Notas de outra distribuidora também revelam a queda dos preços. Em 1º de junho, foi cobrado R$ 0,9953 pelo litro do álcool. No último dia 25, o preço litro caiu para R$ 0,9004. Nos dois casos, o ICMS já está incluído no cálculo.
''As distribuidoras perceberam que passamos a comprar menos porque estávamos vendendo menos, já que o consumidor estava procurando os postos que ofereciam preços mais baixos; como eles também têm uma cota de vendas a manter, resolveram baixar o preço para os outros postos'', contou um dos empresários. ''Só que o que eles perdem aqui, eles ganham em outras cidades, onde o preço do combustível está mais alto'', acrescentou outro.
O terceiro entrevistado garantiu que o preço do álcool ficará neste patamar de preços até hoje. ''Depois vão voltar a vender o álcool pelo seu preço normal'', explicou. ''Não nos sobrou outra alternativa senão baixar os preços. Não são só as vendas que perdemos; perdemos também os clientes, que não voltam mais depois, mesmo que o preço esteja normalizado''.
''Se a companhia está abaixando os preços artificialmente, ainda que para proteger empresários honestos, está praticando dumping, está alinhando, está fazendo um arranjo. O mercado está sendo manipulado: é um crime contra a ordem econômica'', explicou Roberto Fregonese. ''Esses preços praticados em Londrina não existem''.

mockup