Postos de Londrina reajustam combustíveis em 4%
Reportagem da FOLHA constatou variações nos preços reajustados, os mais elevados foram R$ 4,45 para a gasolina e R$ 3,80 para o diesel
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de setembro de 2019
Reportagem da FOLHA constatou variações nos preços reajustados, os mais elevados foram R$ 4,45 para a gasolina e R$ 3,80 para o diesel
Simoni Saris - Grupo Folha 

Os efeitos dos ataques às refinarias de petróleo na Arábia Saudita, ocorridos no sábado (14), já chegaram aos postos e os motoristas que foram logo cedo abastecer seus veículos nesta sexta-feira (20) se depararam com alta no preço dos combustíveis em Londrina. O aumento nas refinarias foi de 4,2%. Nas bombas, o reajuste passou de 4% no valor do diesel e ficou em torno de 2,5% para a gasolina. O preço do etanol subiu cerca de 2% em alguns estabelecimentos.
Proprietário do Auto Posto Cupimzão, Diogo Decker disse que a maior preocupação é com o reajuste do diesel. Nos estabelecimentos dele, o preço do produto subiu R$ 0,15 de quinta para sexta-feira. O diesel comum (S500) estava sendo vendido a R$ 3,49 e o diesel S10, a R$ 3,59. “O consumo na cidade cai um pouco nos primeiros dias, mas depois volta ao normal. Nosso posto na rodovia é o que mais sente. Muitos motoristas, sabendo do aumento, já tinham abastecido ontem (quinta-feira), quando era o estoque antigo. Hoje de manhã praticamente não tive movimento no posto. Muitos caminhoneiros veem o preço do combustível e seguem direto para outra cidade ou para outro posto onde o movimento é menor e tem mais estoque , para tentar achar um preço melhor”, comentou Decker.
No estabelecimento, o litro da gasolina subiu R$ 0,10 e passou para R$ 4,09. O etanol, que havia sido reajustado nas refinarias na semana passada em R$ 0,02, teve aumento de R$ 0,05 e estava sendo vendido a R$ 2,79. “Não consegui repassar na semana passada e repassei agora esse aumento no etanol. Estou com a margem bastante estrangulada”, queixou-se Decker.

Pela cidade, a reportagem encontrou preços ainda maiores. Havia postos cobrando R$ 4,45 pelo litro da gasolina e R$ 3,80 pelo diesel comum. Em um estabelecimento o etanol era vendido a R$ 2,95. Os consumidores já sentem o peso dos reajustes. Motorista de aplicativo, Paulo Marcos Marioti tem optado pelo etanol para tentar driblar as altas maiores aplicada ao preço da gasolina, mas espera que os reajustes sejam repassados aos clientes. “Os preços do aplicativo ainda não foram reajustados e para a gente não está muito bom, não”, reclamou.
“Está complicado. Vi a notícia de que iria ter aumento na quinta-feira à noite, nos grupos que faço parte nas redes sociais e já vim preparado para pagar mais caro hoje. A gente, que trabalha com o carro, está sempre monitorando os preços e é quem mais sente esses aumentos. Só espero que a plataforma reveja os preços, caso contrário, não vai compensar”, disse o motorista de aplicativo Marcos Olivetti.
“São poucos centavos de aumento, mas pesam muito no nosso bolso. A cada hora é uma história e sempre vêm os aumentos. Tenho percebido muitas altas nos preços dos combustíveis, mas não tem como deixar de comprar, a gente precisa abastecer o carro. Antes só usava gasolina, mas por causa do preço passei a abastecer com etanol. O preço está mais vantajoso”, comentou a analista judiciária Cleide Valero.
COMERCIANTES
Em nota encaminhada por sua assessoria de imprensa, o Sindicombustíveis-PR, entidade que representa o comércio varejista, informou que as distribuidoras, de maneira geral, têm repassado os aumentos das refinarias com grande agilidade para os postos, ao mesmo tempo que demoram ou não repassam as reduções de preços. Segundo a entidade, a grande maioria das distribuidoras já repassou as recentes altas e os postos não conseguem absorver altas tão significativas.
O sindicato ressaltou que a Petrobras vem acumulando aumentos nas refinarias nos últimos meses e desde o último dia 16 de agosto, o preço da gasolina nas refinarias acumula alta de 9% e o do diesel comum, os reajustes somam 10%.
O coordenador do Procon em Londrina, Gustavo Richa, disse que o órgão de defesa do consumidor está acompanhando as altas de preços dos combustíveis, mas segundo ele, os preços não foram reajustados em todos os postos da cidade. “Não fizemos a pesquisa, não é uma coisa que se faz de um dia para o outro, mas ainda não recebemos reclamações dos consumidores sobre prática de preços abusiva”, disse o coordenador.


