Postos de Londrina começam a oferecer etanol aditivado
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quinta-feira, 23 de junho de 2016
Luis Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
A Shell começa a comercializar em dez postos de combustíveis de Londrina o etanol aditivado. O Shell V-Power Etanol é o único do mercado e promete melhor desempenho do motor. Para o coordenador do curso técnico em manutenção automotiva do Senai, Edison Bonifácio, as vantagens do combustível modificado só seriam sentidas a médio ou longo prazo.
Atualmente, apenas a Shell e a Lubrizol têm registro de aditivos para o combustível derivado da cana-de-açúcar, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O órgão não soube informar, entretanto, quais são comercializados. A FOLHA não conseguiu contato com a Lubrizol do Brasil.
O etanol aditivado da Shell foi desenvolvido, segundo o coordenador de combustíveis da empresa Raízen, que distribui o combustível, Gilberto Pose, com a proposta de oferecer capacidade extra de limpeza para os componentes do motor, como bombas, injetores e válvulas. Além disso, a formulação oferece o Friction Modification Technology (FMT), componente exclusivo que promete maior lubrificação e menor atrito entre as peças do motor.
"Esses fatores citados, ao proporcionarem aqueles benefícios ao funcionamento do motor, podem também contribuir para gerar economia de combustível ao veículo. Frequentemente nossos clientes finais nos reportam terem obtido economia de combustível em seus veículos pelo uso do Shwell V-Power em relação ao etanol comum", disse em entrevista por e-mail.
Segundo o coordenador do Senai, o etanol é um derivado da cana-de-açúcar que vem com cerca de 7% de água - portanto, álcool hidratado. "A diferença com o aditivado são os produtos adicionados, assim como a gasolina aditivada, que vem com antidispersantes, antidetonantes e detergentes, que ajudam a manter a limpeza do motor e não deixar formar aquela borra resultante do carbono", compara.
Ainda segundo ele, apesar de o etanol não formar a borra, o próprio combustível pode adotar uma consistência pastosa que acaba entupindo os sistemas injetores ou, nos mais antigos, ocasionar problema no carburador. "Se evitar esse entupimento e reduzir esse atrito, como afirmam que ocorreu em laboratório, [o etanol aditivado] tem tudo para dar certo", opina.
Bonifácio diz que o pequeno valor a mais cobrado pela versão aditivada vale a pena a longo prazo, já que deve resultar em revisões mais baratas e, possivelmente, em um pequeno aumento na vida útil do motor.
Etanol versus gasolina
A diferença entre os combustíveis de origem fóssil e da cana-de-açúcar está na octanagem, explica Edison Bonifácio. O etanol suporta maior compressão que a gasolina, resultando em uma explosão mais potente. "Por isso, quando eu abasteço com álcool, o motor tem maior potência", explica.
Por outro lado, a proporção de ar em relação à gasolina para obter a explosão é de 13 partes por 1. No caso do etanol, essa proporção é de nove partes de ar por uma de combustível, uma diferença de cerca de 30%. "Isso explica o consumo maior do etanol: para ter o mesmo resultado, preciso de maior quantidade de álcool no motor. Se o veículo faz dez quilômetros com um litro de gasolina, vai percorrer sete com um litro de etanol", afirma.
Essa diferença explica o cálculo necessário para saber quando é mais vantajoso abastecer com cada combustível: se o preço do etanol corresponder a mais de 70% do da gasolina, o segundo é mais vantajoso. Quando o álcool é 70% ou menos que a gasolina, é aconselhável abastecer com etanol.


