Postos de Apucarana travam 'guerra'
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quarta-feira, 26 de setembro de 2001
Maurício Borges<br> De Apucarana 
Uma autêntica guerra de preços desencadeada nos últimos dias por proprietários de postos de combustíveis está fazendo a alegria dos consumidores em Apucarana. De uma hora para outra, vários postos resolveram entrar na briga de preços, baixando o preço do litro de gasolina em até R$ 0,30, o mesmo ocorrendo com o álcool.
O mercado de combustíveis foi abalado há cerca de três meses na cidade, com a chegada de uma filial do Auto Posto Junino, adepto de um giro mais rápido de estoque, trabalhando com margem de lucro bem inferior à média.
Na época, a reação na praça foi imediata, com vários concorrentes aderindo a uma campanha de esclarecimento público. Através da mídia, a campanha passou a alertar os consumidores sobre os riscos e danos aos veículos, ao abastecer com combustível adulterado. Ao mesmo tempo, a clientela em geral era alertada para a necessidade de abastecer em postos que garantem combustível de qualidade, com testes diários. O proprietário do Auto Posto Junino, Valmor Menegatti, manteve os preços da gasolina e do álcool mais baixos e reagiu, desafiando os concorrentes a provar que adulterava combustível.
Com a queda nas vendas, alguns empresários obtiveram apoio das distribuidoras para entrar na guerra de preço. Primeiro foram quatro postos com a bandeira da Esso e, desde terça-feira, outros três, da Petrobrás. Nestes postos, o preço da gasolina caiu em média de R$ 1,70 para R$ 1,47. Já o litro de álcool baixou de R$ 0,92 para R$ 0,77.
Ontem o empresário Valdir Brambila, proprietário de dois postos em Apucarana e diretor do Sindicombustíveis, avaliou que postos de outras bandeiras também deverão aderir à guerra de preços, passando a comercializar combustíveis com uma margem de lucro de apenas R$ 0,06 por litro. ''Isso será feito em caráter provisório, para ver como fica, mas não sei até onde iremos aguentar, porque essa atitude é meio suicida'', comentou Brambila.
Segundo ele, trabalhando com esta margem de lucro, um posto que comercializa 150 mil litros ao mês tem um lucro bruto de R$ 9 mil. ''Assim, depois de pagar impostos e funcionários não sobra quase nada'', calcula o empresário, prevendo que vai haver muita demissão no setor.
Ele próprio informou que ontem demitiu 7 funcionários e que outros também ser prejudicados. Marcos Scacabarossi, proprietário de um posto da Esso, assegura que entrou na guerra de preços e que está dispostos a enfrentar a concorrência desleal. Para Marcos Travain, que mantém um posto da mesma bandeira, pode acontecer em Apucarana a mesma situação de Londrina, em que, na briga de preços, provou-se a entrada de combustível adulterado na cidade.


