Cerca de 40 postos de combustíveis de Londrina começam a receber hoje as notificações da promotoria de Defesa do Consumidor, segundo informações do delegado-chefe da 10ª subdivisão policial, Wanderci Corral Fernandes, responsável pelas intimações. Ele espera entregar todas as citações até a próxima semana.
Com as notificações, o promotor de Defesa do Consumidor de Londrina, Leonir Batisti, inicia oficialmente o processo de investigação contra os proprietários de postos de combustíveis que aumentaram os preços da gasolina e do álcool no último sábado. Os donos dos estabelecimentos terão que enviar documentos à promotoria de Defesa do Consumidor explicando a alta de preços dos produtos num prazo de dez dias (depois de intimados). Os documentos vão fundamentar o pedido de abertura de inquérito, que já está sendo elaborado pelo promotor e, eventualmente, poderão instruir uma ação civil.
‘‘Os proprietários que quiserem se livrar da ação civil pública podem assinar um termo de ajustamento, comprometendo-se a retornarem aos preços praticados anteriormente’’, afirmou Batisti. ‘‘Também estudamos a possibilidade de fixação de uma multa a favor do Fundo Estadual de Direitos Coletivos ou Difusos’’.
O promotor já tem um levantamento com os preços dos combustíveis praticados por 70 postos de Londrina. Leonir Batisti pretende comunicar a atitude dos donos de postos do município ao orgão do Ministério da Justiça, em Brasília, que trata da defesa da liberdade econômica. ‘‘Este orgão poderá abrir um processo administrativo contra o Sindicombustíveis de Londrina e os proprietários dos postos’’.
A promotoria de Defesa do Consumidor apura a combinação de preços feita por proprietários de postos de combustíveis em Londrina. No último sábado, vários postos consultados pela Folha haviam aumentado os preços da gasolina e do álcool, alegando que estavam retirando as ‘‘promoções’’.
O diretor do Sindicombustíves de Londrina, Valter Sasso, argumentou que o setor não aumentou o preço aleatoriamente. ‘‘Foi baseado na necessidade e seguindo uma planilha de custos’’, garantiu. Segundo ele, os preços baixos praticados anteriormente em Londrina eram frutos de uma concorrência desleal ‘‘com estabelecimentos que sonegam impostos e vendem combustíveis de qualidade duvidosa’’. ‘‘Vários postos ficaram descapitalizados e acabaram quebrando’’.
Sasso, que gerencia o Auto Posto Centro Cívico, garantiu que não irá retornar aos preços anteriores. ‘‘Tenho que pagar a Shell, água, luz, funcionários e impostos’’.

mockup