Os usineiros foram apontados pelas distribuidoras como os responsáveis pelo último aumento do álcool combustível. Mas, segundo Adriano da Silva Dias, superintendente da Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná (Alcopar), as distribuidoras compraram álcool na semana passada a R$ 0,88/litro, ''ou seja, mais barato que o valor do produto comercializado há um ano e meio''. ''Não sei onde está parando está diferença'', disse Dias ao lembrar que Maringá município cercado por várias usinas o litro do álcool está a R$ 1,60.
Em Londrina, o preço do litro variava, ontem, entre R$ 1,37 e R$ 1,55 em diferentes regiões da cidade. Para o gerente Paulo Camargo, do Auto Posto Central, o preço do álcool deverá recuar um pouco nos próximos dias em virtude da natural acomodação do mercado. ''Acredito que ele cairá até R$ 1,42'', prevê o gerente que está vendendo o litro do álcool a R$ 1,49. De acordo com ele, seu lucro sobre o álcool (R$ 0,12) e gasolina (R$ 0,14) está muito baixo em comparação ao custo. Na sua opinião, o ideal seria que o lucro fosse de R$ 0,25 por litro. ''Mas, em Londrina, isso é difícil porque existe muita competição e práticas ilegais (adulteração e sonegação)'', afirmou.
O empresário Gustavo Gratão, proprietário do Auto Posto Rio Araguaia, disse à reportagem que está trabalhando com prejuízo para competir com os estabelecimentos de bandeira branca. Ele espera que a recente atuação da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e Receita Estadual iniba as fraudes e torne a concorrência mais justa.
A universitária Jaciane Reis sofreu uma decepção há cerca de um mês ao trocar um carro à gasolina por outro a álcool na expectativa de economizar. ''O consolo é que, no final das contas, a diferença não é tão grande assim'', resigna-se. Diante das constantes oscilações no preço do álcool e gasolina, o universitário Moisés dos Santos Barbosa pensa em comprar um carro bicombustível no futuro. Enquanto isso, ele reveza o carro com a moto e o ônibus para gastar menos.
O representante comercial André Jacinto Martins também é adepto das duas rodas. ''Tenho uma motocicleta à gasolina e um carro à álcool que só uso quando está chovendo. Mas, em breve, vou converter o motor trocando apenas o chip'', explicou Martins que percorre 80 km a 150 km/dia entre Londrina, Ibiporã e Cambé.
A reportagem da Folha entrou em contato com o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência (Sindicombustíveis), mas o presidente não foi localizado para comentar o assunto.

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