A greve prometida pelos caminhoneiros para acontecer a partir de segunda-feira, pode receber uma importante adesão. Os donos de postos de gasolina de rodovias ameaçam parar de comprar óleo diesel como forma de pressionar o governo a reajustar a margem de lucro do produto para os revendedores. Os postos pretendem boicotar a compra do produto a partir de sexta-feira, e fechar os estabelecimentos a partir de segunda. Ontem, representantes do setor estiveram reunidos, em São Paulo, para definir as estratégias que serão adotadas. Até o fechamento desta edição o encontro não havia terminado.
No Paraná, o setor já deixou claro que está disposto a aderir ao movimento nacional de boicote à compra do óleo diesel. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Paraná, Roberto Fregonese, o setor já usou todos os expedientes ‘‘possíveis e imagináveis nas áreas política e administrativa’’ para decidir o problema dos postos de rodovias.
Segundo Fregonese, a margem de lucro do diesel está congelada há quase cinco anos. Os postos alegam que a venda de diesel acarreta um déficit de R$ 0,05 por litro vendido. A margem de lucro do produto é de R$ 0,07, abaixo da margem técnica de R$ 0,12 necessários para cobrir os custos de produção. No caso da gasolina e do álcool a margem técnica é de R$ 0,18.
Essa situação, de acordo com Fregonese, já levou vários postos de rodovias a fecharem. Dados do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) mostram que só no ano passado mil postos, cujo principal negócio era a venda de diesel nas estradas brasileiras, lacraram as bombas. Outros 1,8 mil estão em situação financeira ruim. No Paraná, dos 452 postos existentes em rodovias, 180 fecharam no último ano.
Paralisação O presidente da Movimento União Brasil Caminhoneiro, Nélio Botelho, disse ontem que mais de 1 milhão de caminhoneiros vão aderir à greve marcada para segunda-feira. Segundo ele, a reunião que o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, fará hoje em Brasília, sem participação do Movimento, vai elevar o número de adesões à paralisação. (Colaborou Agência Estado)

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