Postos alinham o preço do álcool
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quarta-feira, 24 de outubro de 2001
Cláudia Lopes<br> De Londrina 
Desde ontem, a maioria dos postos de combustíveis de Londrina vende o litro do álcool por preços que variam de R$ 1,06, R$ 1,07 a R$ 1,08. O aumento de preços nos poucos postos da cidade que vendiam o produto mais barato desde a semana passada se deve a uma articulação do setor, como adiantou a Folha na edição de ontem. O Posto Carajás, que vendia o litro do álcool por R$ 0,95, aumentou o preço para R$ 1,06; o Posto Duim passou de R$ 0,97 para R$ 1,08 e o Posto Samuara, que vendia o produto por R$ 0,99, aumentou para R$ 1,08. ''Estou apenas acompanhando o mercado'', disse o gerente do Samuara, José Carlos de Lusa.
A Folha foi informada sobre a articulação do setor anteontem por um dono de posto, que não quis revelar seu nome por temer represálias. ''Essa articulação comprova a existência do cartel. Os ministérios públicos Federal e Estadual precisam ser mais contundentes em relação a esse crime'', disse o coordenador do Procon em Londrina, Tito Valle.
Há duas semanas, o Procon recebeu um ofício da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre o levantamento de preços de combustíveis feitos na cidade. No ofício, a ANP diz que ''verificou-se que vem ocorrendo baixa dispersão entre os preços de revenda da gasolina comum e do álcool hidratado praticados pelos postos revendedores de Londrina, acompanhada de elevadas margens de comercialização, o que indica que os postos podem estar agindo de forma coordenada na fixação dos preços de revenda desses produtos.''
O Ministério Público Federal propôs, há cerca de um mês, uma ação civil pública contra cerca de 160 postos de Londrina por formação de cartel. Para tentar reduzir os preços na cidade, o procurador da República do Ministério, Mário Ferreira Leite, elaborou um termo de compromisso de ajustamento de conduta no qual prevê margens de lucro de R$ 0,12 a R$ 0,18 sobre o preço de compra. O termo foi assinado até agora apenas pelo Posto Manancial, que está comercializando gasolina por R$ 1,73 e álcool por R$ 0,94.
No final da tarde de ontem, o proprietário do Posto Manancial, Ilson Gomes de Lima, procurou a Folha para reclamar que não estava conseguindo comprar combustíveis de seu fornecedor, a Caomé, de Maringá. ''A gasolina já acabou e o álcool está no final. Segundo informações do vendedor da empresa, a Caomé está sendo pressionada para não vender para mim'', afirmou.
O gerente da Caomé, Sirineu Pedrazani, disse não ter sido pressionado mas confirmou que recebeu um telefonema em que uma pessoa denunciava o Posto Manancial. ''Essa pessoa disse que a UEL coletou uma amostra de combustível do posto, que estaria contaminada, e que o posto estaria adulterando os combustíveis com outros produtos'', afirmou. ''Como a distribuidora tem um nome a zelar, resolvi suspender a venda até checar essas informações.''
Pedrazani afirmou que entraria em contato com a UEL hoje pela manhã para apurar a denúncia. ''Se essa denúncia não se comprovar, esse telefonema pode ser entendido como pressão. Se não houver nenhum problema, voltarei a fornecer os produtos o mais rápido possível já que considero o posto um bom cliente.''
No termo de ajustamento, assinado anteontem, o empresário Ilson Gomes de Lima comprometeu-se junto ao Ministério Federal de vender produtos de boa qualidade. ''Essa denúncia de adulteração é infundada e visa cortar o meu suprimento.''


