Posto sofre atentado em Curitiba
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quinta-feira, 04 de março de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam) está investigando um suposto atentado a bomba contra um posto de combustíveis de Curitiba. O preço abaixo do praticado pela maioria dos estabelecimentos R$ 1,819 é que teria motivado a ameaça. O fato ocorreu por volta das 19h30 da noite da última quarta-feira. Na explosão, o pedreiro Renato Essy, 34 anos, teve as duas pernas amputadas. Até o final da tarde de ontem, ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), do Hospital do Trabalhador, que não quis dar detalhes sobre seu estado de saúde.
O superintendente da Deam, Edemir Catapan, confirmou que a polícia trabalha com a hipótese de atentado intencional. A bomba foi colocada em um terreno baldio, vizinho ao posto Pinheiro (nome fantasia), que fica na Rua João Dembinski, no bairro Campo Comprido. Segundo ele, o explosivo caseiro, que usava um extintor de incêndio como envólucro, estava a cerca de um metro e meio da caixa onde ficam as válvulas por onde são abastecidos os tanques de armazenamento. Era grande o risco de o posto explodir. Segundo o gerente, estavam armazenados cerca de 50 mil litros de gasolina e álcool.
A suspeita do atentado premeditado é reforçada por uma ligação anônima feita ao posto. De acordo com Catapan, o gerente geral da rede, Celso Martins, teria sido ameaçado dias antes. ''A pessoa ligou dizendo que se eles não subissem o preço iriam sofrer as consequências'', contou o superintendente.
O posto Pinheiro, segundo a polícia, teve um aumento de 150% nas vendas depois que uma emissora de televisão veiculou uma reportagem informando que o estabelecimento mantinha o menor preço da praça. Análises confirmavam que o combustível era de boa qualidade. Ontem, o litro da gasolina continuava custando R$ 1,819.
O gerente do posto, João Maria de Lara, evita falar sobre o assunto por temer represálias. Disse que caberá à polícia investigar se foi, de fato, um atentado por causa dos preços praticados pelo posto. Ele afirmou que o dono do estabelecimento consegue vender mais barato porque seus custos são menores (não paga aluguel das instalações) e compra o combustível à vista, negociando preço com a distribuidora.


