A guerra de preços dos combustíveis em Londrina teve ontem mais um capítulo violento. Desta vez, as vítimas foram os proprietários do posto de combustíveis Transamérica, localizado na avenida Leste-Oeste, que tiveram um carro alvejado. Um homem armado invadiu o posto, por volta das 8h30, e disparou cinco tiros contra o carro Renault Mégene, placas AJE-1175, fugindo em seguida.
Segundo Maria Lúcia de Souza, dona do posto, a família vem recebendo ameaças desde que resolveu baixar os preços. O posto está comercializando gasolina a R$ 1,73 e álcool a R$ 0,97.
De acordo com a proprietária, o atirador sabia o que estava fazendo. ''Ele chegou, não falou nada e foi direto para onde o nosso carro estava estacionado. Atirou e saiu correndo'', disse. Na hora, o posto estava cheio de clientes. Um vizinho, segundo Maria Lúcia, seguiu o rapaz e anotou a placa do carro no qual fugiu, um Panorama bege, placas BNJ-5026. A polícia militar abriu inquérito para apurar o caso.
''É nosso direito vender pelo valor que a gente acha que pode praticar'', afirmou Maria Lúcia. Ela disse que o atentado prova que existe uma pressão violenta para que haja majoração de preços na cidade.
Esse é o terceiro atentado contra postos na região. Em maio deste ano, o dono do posto Carajás, Emílio Santaella, teve a casa e três carros alvejados por tiros. Na última sexta-feira, três homens encapuzados atiraram contra a camioneta do empresário Valmor Menegatti Júnior, proprietário de posto em Marialva.
O delegado Márcio Vinicius Amaro, responsável pelo inquérito aberto ontem, disse que o veículo Panorama está licenciado em nome de Roberto Ramos Cotrim. ''Mas ele vendeu o carro em 1998. Desde então, o veículo teve pelo menos mais quatro donos. Vamos continuar com as diligências para chegar ao proprietário atual'', afirmou. Neste ano, o delegado concluiu em inquérito que há cartel no setor em Londrina. ''Esse inquériro está sendo apreciado pelo Ministério Público Estadual.''
Para Amaro, que indiciou sete pessoas no inquérito solicitado pelo Ministério, o grupo que controla o cartel está cada vez mais ousado. ''Entendo que caberia uma medida mais drástica, com a prisão das pessoas já identificadas.''
Na próxima semana, a Polícia Federal, que também instaurou um inquérito para apurar a formação de cartel em Londrina, deve ouvir o diretor do Sindicombustíveis, Valter Sasso; o presidente da Arcom, Ariovaldo Ferraz Arruda, e o diretor de uma distribuidora de Maringá. Os depoimentos foram solicitados pelo Ministério Público Federal.

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