A guerra pelo menor preço entre os postos de combustível de Londrina ultrapassou a disputa nas bombas e, mais uma vez, se tornou caso de polícia. Depois de um posto ser alvejado com 10 tiros na última semana no Centro da cidade, na madrugada de ontem foi a vez de outro estabelecimento, localizado na rua Guaporé, ser alvo de um possível atentado. Quatro bombas foram incendiadas e uma granada foi lançada no interior da loja de conveniência, mas não explodiu. O Corpo de Bombeiros foi acionado e controlou o início de incêndio, na sequência, policiais do Pelotão de Choque recolheram o artefato.
O proprietário do Posto Tropical acredita que a ação dos bandidos pode ser uma forma de retalização contra os preços praticados no estabelecimento, que no caso é de bandeira branca. O valor do litro da gasolina no posto é vendido a R$ 2,49, enquanto o etanol está sendo comercializado a R$ 1,69. Em postos bandeirados, a gasolina hoje pode ser encontrada entre R$ 2,59 e R$ 2,69, e o álcool a R$ 1,79. ''Espero que este fato associado ao caso dos tiros no posto da João Cândido, que inclusive é do meu irmão, ajude a nas investigações sobre o que está acontecendo'', comentou o empresário.
Em relação ao preço abaixo da média da cidade praticado atualmente, o dono do posto disse que consegue trabalhar com tal diferença em relação aos postos bandeirados por ser de bandeira branca e também não aceitar pagamentos com cartões de crédito, débito ou cheque. ''Londrina é uma praça crítica, com grande quantidade de postos. Se eu não comercializar com esta margem, fica difícil competir. Existe uma discriminação contra os postos de bandeira branca na cidade'', completou ele.
O vice-presidente do Sindicombustíveis, Durval Garcia Júnior, disse que a entidade é a maior interessada em saber quem está praticando tais atos criminosos. ''É algo que precisa ser investigado e solucionado o mais rápido possível'', ressaltou.
Durval comentou ainda que o Sindicombustíveis possui muitos associados de postos de bandeira branca bem profissionais, mas é preciso que o consumidor conheça as margens de comercialização no caso das grandes companhias e das pequenas distribuídoras. ''No etanol, por exemplo, a diferença para o consumidor pode chegar até R$ 0,10, mas da gasolina, como a Petrobrás é responsável por tudo, a diferença deve ser, no máximo, entre R$ 0,02 e R$ 0,03. Já no diesel, ela é quase zero'', calculou ele.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com o investigador-chefe do Departamentos de Roubos e Furtos da 10 Subdivisão Policial, Marcio Ilkiu, para mais informações sobre a ação dos bandidos, mas não conseguiu encontrá-lo durante a tarde. Até o início da noite, não havia confirmação se seria necessário que o perito do Instituto de Criminalística fosse até o posto.
ANP
Na última pesquisa de preços divulgada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em Londrina, entre os dias 13 e 19 de maio, a gasolina foi comercializada em média a R$ 2,78 o litro, com preço mínimo de R$ 2,54 e máximo de R$ 2,89. Já o etanol ficou em média de R$ 1,91, com menor preço de R$ 1,74 e maior de R$ 1,99. Porém, em levantamento realizado pela reportagem, em diversos postos de bandeira branca foi possível encontrar valores menores do que os mínimos divulgados pela agência (ver gráfico).

Imagem ilustrativa da imagem Posto com gasolina a R$ 2,49 sofre atentado com granada
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