O provável sucesso do governo na tentativa de impedir a instalação da CPI da Corrupção no Congresso teve uma leitura positiva do mercado ontem e levou a uma pequena trégua no mau humor que tem dominado as expectativas dos analistas nestes últimos dias. A Bovespa operou no campo positivo durante todo o dia e encerrou o pregão em alta de 1,45%, com 14.993 pontos.
O fato de que os líderes do governo aceitaram no começo da tarde, sem resistência, a abertura da sessão para a leitura do requerimento da CPI, foi visto como um sinal de que o Planalto já havia conseguido demover o número necessário de deputados que haviam assinado a lista do requerimento.
A divulgação pelo Banco Central da emissão de mais US$ 1 bilhão em Global Bonds, somando no ano um volume muito próximo do piso pretendido para o período, de US$ 5 bilhões, também foi uma notícia positiva para o mercado.
Some-se a isso a decisão do Banco Central Europeu em reduzir, finalmente, a taxa de juros, em 0,25 ponto porcentual. Apesar de considerada tímida por boa parte dos analistas, trata-se de um movimento que teve boa repercussão nas bolsas européias, que fecharam em alta.
Ainda que de menor impacto, a Argentina também trouxe uma boa notícia: os governadores do Partido Justicialista decidiram apoiar o ministro Domingo Cavallo em sua iniciativa de usar a arrecadação de impostos como garantia da dívida pública, o que facilita e provavelmente reduz o custo da megaoperação de ‘‘swap’’ da dívida.
A relativa melhora do humor no mercado não se refletiu em aumento dos volumes negociados na Bovespa. Ontem o pregão teve mais um dia pífio em termos de movimentação, onde apenas R$ 603 milhões trocaram de mãos.
A percepção de que a CPI Mista da Corrupção não vai vingar trouxe alívio ao mercado e provocou vendas de dólar e queda das cotações, após três dias consecutivos em alta. O pronto fechou em baixa de 0,13%, vendido a R$ 2,258.

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