Possível elevação da Selic gera críticas
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segunda-feira, 13 de setembro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Empresários, sindicalistas e economistas criticaram ontem a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar a taxa básica de juros em sua reunião dessa semana. Na abertura do primeiro Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Ivoncy Ioschpe, disse que a alta dos juros pode ''jogar no chão'' todo o esforço feito pela sociedade para a recuperação da economia. ''Não é legítimo tudo isso ser jogado na lata do lixo mais uma vez'', disse.
Logo em seguida, o presidente da CUT, Luiz Marinho, reforçou a crítica dizendo que o País não pode se pautar apenas por uma meta de inflação, e ''ficar apavorado'' a cada mês, às vésperas da reunião do Copom. Segundo ele, a economia brasileira precisa de um choque de investimentos e de produção, e não será pelo viés fiscal e monetário que a inflação será controlada.
Ao abrir o fórum promovido por entidades empresariais e sindicais, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira também criticou uma eventual elevação dos juros. Ele questionou a atenção que se dá à inflação, dizendo que este não é um problema para o Brasil . De acordo com Bresser Pereira, o desenvolvimento econômico e o aumento do emprego, que seriam fundamentais para o País, serão atingidos com um equilíbrio macroeconômico, que viria com a redução da taxa de juros e a elevação da taxa cambial.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, não mencionou a possibilidade de alta dos juros, mas criticou a valorização cambial das últimas semanas que estaria alcançando os investimentos voltados à exportação. Piva afirmou esperar que o atual governo não cometa os mesmos erros dos anteriores e busque uma taxa de câmbio que dê competitividade ao produto brasileiro.


