A dolarização da economia argentina ganha mais força com as mudanças implantadas pelo governo no fim de semana. Todos os empréstimos bancários serão agora em dólares, e os argentinos podem pedir para ter seus depósitos convertidos na moeda norte-americana sem custos.
''A dolarização será decidida pelo povo'', disse o ministro da Economia, Domingo Cavallo. ''O regime de conversibilidade deixa a decisão a cada argentino.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, afirmou ontem que a dolarização da economia argentina, se ocorrer, representará o fim do Mercosul. ''E o Mercosul é muito importante para o Brasil, principalmente nas negociações com a União Européia e a Alca'', disse. Para Piva, a Argentina está usando estes pacotes para ganhar tempo porque está perigosamente se aproximando de um colapso.
O presidente da Fiesp afirmou que ainda é cedo para avaliar a eficácia das medidas anunciadas pelo governo argentino no fim de semana. ''Temos de ver como a população argentina vai se comportar, se vai haver uma corrida aos bancos ou se ela acredita no ministro Cavallo'', disse Piva, referindo ao ministro da Economia, Domingo Cavallo. Para ele, o Brasil, apesar de ter uma situação ''mais sólida'', será contaminado.
Para o economista Antônio Corrêa de Lacerda, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), a Argentina está tomando ''medidas desesperadas'' para tentar resolver o quadro dramático da fuga de capitais e dos saques bancários. Para ele, ''no Brasil, como reflexos deste pacote, podemos ter momentaneamente uma eventual elevação dos juros e uma volatilidade cambial''.

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