A provável escalação de Henrique Meirelles e Ilan Goldfjan para comandar a economia num eventual governo do vice-presidente Michel Temer terá o efeito positivo de queimar etapas de adaptação, porque são duas pessoas do mercado, e passar credibilidade às entidades representativas do setor produtivo. Essa é a opinião de economistas e empresários ouvidos pela FOLHA.
A informação de que Goldfjan, economista-chefe do Itaú Unibanco, foi escolhido por Temer para a presidência do Banco Central foi confirmada ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, por três fontes próximas ao vice que pediram anonimato. Assim, Ilan deve fazer dobradinha com o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, escolhido para o Ministério da Fazenda, caso o Senado aprove o afastamento da presidente Dilma Rousseff. A confirmação oficial só será feita depois do afastamento da petista.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, considerou a confirmação da dupla Meireles/Goldfajn como "surpresa positiva". "Na atual conjuntura, além de competência, precisamos de credibilidade. E essas duas pessoas darão a credibilidade que necessitamos." Ressalvando que não tinha muitas informações sobre Goldfajn, o professor de economia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e consultor da Acil, Marcos Rambalducci, disse que o fato de ele trabalhar no mercado é muito positivo. "Tem mais conhecimento das medidas macroeconômicas que devem ser adotadas para dar confiança ao mercado. É uma sinalização positiva para os investidores."

AFINIDADES
O professor do departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Adilson Antonio Volpi diz que a escolha é boa porque, como ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, já conhece o funcionamento da instituição. "Se tem alguém que conhece a mecânica de funcionamento da instituição e o potencial que ela tem – e o BC tem um corpo técnico muito capacitado, assim como esse possível ministro -, eu diria que é um ponto importante porque queima a etapa de adaptação", avalia.
Volpi crê em afinidade entre Ilan e Meirelles, evitando ruídos com decisões do possível ministro da Fazenda. "Nisso deve haver independência, mas há uma sintonia no objetivo." Além disso, deve aliviar o BC de responsabilidades que hoje tem, como o controle inflacionário por meio de taxas de juros altas. "Com o Ministério da Fazenda fazendo políticas macroeconômicas para equilibrar as finanças, o Banco Central terá tranquilidade para fazer política monetária. Entendo que, neste primeiro momento, vai haver um comprometimento muito grande das duas instituições em se complementarem e trabalhar para baixar essas taxas de juros elevadas", avalia o economista.
Segundo as fontes, o atual presidente do BC, Alexandre Tombini, vai permanecer à frente da instituição até o início de junho. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reúne a diretoria do BC para a definição da taxa básica de juros, está marcada para os dias 7 e 8 de junho.
Ilan foi diretor do BC entre 2000 e 2003, durante a gestão de Armínio Fraga, cotado inicialmente para ministro da Fazenda de Temer. Ele, no entanto, recusou e disse que só vai contribuir com o eventual governo Temer. Estava no páreo para a presidência do BC o nome de Mário Mesquita, ex-diretor de Política Econômica durante o período em que Meirelles presidia o BC. Mesquita é atualmente sócio do Banco Brasil Plural. (Com Agência Estado)

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