Pós-capitalização, ação da Petrobras decepciona
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Roberta Scrivano<BR> Agência Estado 
São Paulo - O primeiro dia de negociação das novas ações da Petrobras assustou os pequenos investidores. Com a conclusão da capitalização (de cerca de R$ 120 bilhões) esperava-se uma forte alta nos papéis da estatal. As ações, no entanto, subiram somente 0,76% na sessão de ontem da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), para R$ 26,50.
Sergio Manoel Correia, analista da LLA Investimentos, afirma que a leve alta só ocorreu porque o mercado mundial estava otimista e não por causa da capitalização. Houve boas notícias no Japão, por isso o mercado abriu de bom humor, diz. O reflexo da capitalização nas cotações ainda vai demorar um pouco para vir, avalia o especialista em mercado de capitais.
Outras blue-chips (ações mais negociadas na bolsa), tiveram altas significativas ontem. A Vale PNA, por exemplo, subiu 2,10% e encerrou a sessão a R$ 45,60; a Gerdau PN teve valorização de 1,28%, a R$ 22,90. A Petrobras subiu abaixo da média do mercado, completa Correia.
Muitos investidores compraram papéis da Petrobras com o intuito de realizar lucro (vender a um preço mais alto que o de compra) no curtíssimo prazo. É no longo prazo que a Petrobras vai demonstrar lucro, estima Ernesto Lozardo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV/SP).
Preço menor
Durante a sessão de ontem, os papéis chegaram a perder 0,40% e ficaram mais baratos do que o preço vendido na hora da capitalização (de R$ 26,30) que tinha desconto de 1,8%.
Para Ricardo Almeida, professor de finanças do Insper (ex-Ibmec São Paulo), daqui em diante as ações da estatal vão apresentar rentabilidade normal ou até um pouco maior, mas daqui a um ano.
Ele esclarece que, tecnicamente, rentabilidade normal quer dizer ganhos de 5,7% ao ano acima da média da renda fixa.
Celso Grisi, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) é mais otimista que Almeida. Para ele, até o fim do ano que vem os papéis PN da companhia vão subir 20%, o que colocaria os papéis próximos dos R$ 30.
O pequeno investidor deve sempre olhar o longo prazo. Não dá para dizer, por exemplo, se daqui a um mês haverá alta nas cotações, indica. Por este motivo, Grisi diz que não se deve investir em ações, sobretudo nas da Petrobras, recursos que poderão fazer falta. O ideal é deixar o dinheiro aplicado por pelo menos três anos, diz.
Compare os investimentos - A primeira capitalização da Petrobras ocorreu em junho de 2000. Levando em consideração essa data até ontem, as ações da companhia demonstraram forte valorização de 533,97%. A título de comparação, as ações PNA da Vale, no mesmo período, subiram 1.564%. A caderneta de poupança, por sua vez, rendeu 128,33% na década.


