Portuários iniciam boicote a cargas canadenses
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2001
Agência Estado 
Se depender dos 10 mil portuários de Santos, as cargas procedentes do Canadá, com raras exceções, como medicamentos, produtos perecíveis e papel de imprensa, permanecerão retidas nos navios que atracarem, sem qualquer movimentação, até que o governo canadense suspenda o embargo às exportações de carne brasileira. O protesto liderado pela Intersindical Portuária, entidade que congrega todos os sindicatos de trabalhadores do porto.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, veio a Santos para acompanhar de perto o protesto dos portuários, que conta com o apoio daquela central trabalhista. Tinha que partir de Santos, o mais importante porto do Brasil, um movimento dessa envergadura, fazendo jus à tradição de lutas dos trabalhadores santistas, disse o sindicalista. Para o diretor do Sindicato dos Estivadores, Rodnei Oliveira da Silva, que é representante da categoria junto à Federação Nacional dos Estivadores, enquanto não houver uma solução de consenso entre o Brasil e o Canadá para o embargo à carne brasileira, os trabalhadores portuários estarão mobilizados para boicotar o desembarque de produtos canadenses.
Como a categoria já havia deliberado na reunião de quarta-feira, a descarga de bobinas de papel do navio Horizon Saga, atracado no Armazém 15 da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), transcorreu sem qualquer problema hoje. A expectativa maior era quanto à chegada do navio Pindos, com bandeira das Ilhas Cayman, procedente de Vancouver (Canadá), que deveria atracar na noite de ontem no Terminal de Fertilizantes (Tefer), na margem esquerda do porto, trazendo 48 mil toneladas de enxofre para as indústrias de fertilizantes. Em apoio à decisão dos trabalhadores, a direção da Ultrafértil, uma das importadoras, anunciou que não deverá descarregar o navio no cais próprio, instalado junto à unidade de Cubatão.


