Centenas de portuários, usando empilhadeiras, destruíram ontem de manhã grande parte das instalações do porto de Capuaba, em Vila Velha (ES), em protesto contra a nova política de contratação de mão-de-obra da CVRD (Companhia Vale do Rio Doce). Muros, prédios, computadores e outros equipamentos foram destruídos. Carros foram revirados. A direção do TVV (Terminal de Vila Velha S.A.), empresa da CVRD que administra parte do porto, calculou o prejuízo em R$ 500 mil.
Os portuários começaram a destruição por volta das 7 horas. Usando uma empilhadeira, derrubaram muros e pequenos prédios do porto. A Polícia Militar só teria chegado ao local às 10h30. O diretor do Sindicato dos Portuários Avulsos e Arrumadores do Espírito Santo, Josué King, disse que a quebradeira só começou porque a tropa de Polícia Militar chegou batendo, para tentar retirar os trabalhadores do portão de entrada do porto.
‘‘Estávamos fazendo um movimento ordeiro e pacífico, aguardando alguém da Vale para negociar. Mas a polícia chegou, e aí lascou tudo’’, disse. Um carro da PM teria passado sobre as pernas de um portuário, quebrando-as. Outro portuário teve um braço quebrado. A reportagem não conseguiu falar com o comando da PM em Vila Velha.
Ao todo, 18 trabalhadores foram presos, sendo liberados depois, por falta de fragrante. A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar a destruição de um posto da Alfândega no porto.
O estopim para o tumulto foi uma liminar concedida pelo juiz da 3ª Vara Cível de Vila Velha, Marcos Antônio de Souza, que autorizou o TVV a contratar mão-de-obra própria para trabalhar na área terrestre dos berços 203, 204 e 205 do porto.
Até então, os portuários trabalhavam de forma avulsa, sendo contratados por empreitada pelo Ogmo (Órgão Gestor de Mão-de-Obra). Por esse sistema, segundo Josué King, o salário médio de um portuário avulso giraria em torno de R$ 600 a R$ 700. King afirmou que, pelo sistema que o TVV tenta introduzir, em que os portuários virariam funcionários da empresa, o salário passaria a ser de R$ 305.
O diretor-presidente da TVV, Álvaro de Oliveira Júnior, afirmou que, ao contrário do que diz o sindicato, a lei permite a contratação de mão-de-obra própria pela empresa, para o trabalho na área terrestre do porto.

mockup