Os portuários de Paranaguá aderiram na noite de ontem à greve nacional da categoria, paralisando o terminal por tempo indeterminado. Eles fazem um protesto, em todo o País, contra a entrada em vigor da Medida Provisória, baixada no dia 12 de outubro pelo governo federal, que retira o poder dos sindicatos dos trabalhadores de contratar mão-de-obra. A contratação passaria a ser feita pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), entidade criada com a aprovação da lei de modernização dos portos brasileiros.
A greve geral começou pelo porto de Santos, onde as atividades foram paralisadas no início da manhã, deixando 19 navios parados. Houve cenas de violência por parte dos grevistas, que invadiram e depredaram a sede do Ogmo. O caso acabou indo parar na polícia de Santos. Houve ainda bloqueio do trânsito no centro da cidade, por causa de uma passeata.
Nos demais portos, a deflagração da greve estava marcada para as 19 horas. Os portos do Rio de Janeiro, Belém, Manaus, Cabedelo, Salvador, Recife e Vitória também tinham aprovado a greve.
A mobilização acontece dois dias antes de o Congresso votar a Medida Provisória encaminhada pelo governo federal. Caso eles consigam sensibilizar deputados federais e senadores, a greve poder terminar na manhã desta quinta-feira. ‘‘Vamos fazer um trabalho de lobbies durante a votação’’, afirmou o presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários, Carlos roberto Frisoli.
O presidente da Intersindical Portuária de Paranaguá, Ademir Scomasson, garantiu, ontem, que nenhum setor do porto paranaense iria funcionar a partir de hoje. ‘‘Os oito mil portuários vão parar e nenhum navio vai ser carregado ou descarregado’’, assegurou Scomasson. Ele disse que os sindicalistas e trabalhadores estão revoltados com a imposição do governo federal na mudança das regras.
‘‘Os sindicatos sabem fazer muito bem o trabalho de contratar mão de obra, então, por que temos que mudar isso?’’, questionava o sindicalista, ao lembrar que este sistema funciona há 40 anos. O Sindicato dos Estivadores e o Sindicato dos Arrumadores, que representam os portuários que movimentam os contêineres dentro e fora do navio, respectivamente, também informaram estar engajados na greve.

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