Os trabalhadores do Porto de Paranaguá ameaçaram ontem iniciar uma paralisação geral na movimentação de cargas assim que o consórcio privado Redram/Transbrasa faça a alteração nas atuais regras de contratação de mão-de-obra. Desde segunda-feira, a Redram tem autorização para trabalhar com arrumadores e condutores contratados em regime fixo e com carteira assinada no Terminal de Veículos e Contêineres (Tevecon), encerrando o atual regime trabalhista que prevê a contratação temporária pelo sistema de rodízio e com a intervenção dos sindicatos.
Até ontem, os navios estavam sendo descarregados pelo método antigo, pois a operação para fazer o descarregamento começa cinco dias antes da chegada do navio no cais. O navio da agência operadora Lacma atracou no berço número 16 e foi descarregado por arrumadores e condutores indicados pelos sindicatos dos trabalhadores.
Pela proposta do consórcio privado, que ganhou a concessão para explorar o Tevecon por 25 anos, seriam contratados 60 arrumadores para fazer todo o trabalho de movimentação dos navios que estiverem dentro do Terminal de Veículos e Contêineres. A diretor presidente da Redram, Mauro Marder, alegou ontem que a contratação fixa de trabalhadores é uma das principais alternativas para baixar o custo portuário e tornar o porto competitivo. ‘‘Todos os principais portos do mundo e do Brasil já atuam desta maneira’’, afirmou, citando os portos de Santos, Rio de Janeiro e Rio Grande. Estes terminais colocaram em prática a Lei 8.630, de Modernização dos Portos, que prevê a contratação própria de trabalhadores, sem a interferência de sindicatos.
Os trabalhadores e sindicatos alegam que o fim do rodízio no trabalho representará desemprego em massa no Porto de Paranaguá. Hoje, 1,6 mil arrumadores e condutores fazem este serviço de descarga de contêineres ou veículos. ‘‘Se eles contratarem 60, para onde irão os outros?’’, questionou ontem Ademir Scomasson, presidente da Intersindical - entidade que aglutina todas as categorias profissionais que atuam no terminal portuário.
Ele disse que, além do desemprego, a Redram pagará menos pelo serviço prestado. Hoje, um arrumador recebe R$ 4 e um condutor ganha R$ 36 para movimentar um contêiner. Scomassom afirmou ainda que a Redram propôs o pagamento de 35 centavos para um arrumador e de R$ 6 para um condutor.
O diretor presidente do consórcio assegurou que a empresa quer pagar o que os demais portos brasileiros pagam pelos mesmos serviços. ‘‘Estamos propondo um salário de R$ 350, que é a média nacional’’, afirmou Marder. Ele disse que se os portuários entrarem em greve, a Redram não pretende ‘‘confrontar’’ com os trabalhadores, mas não deixará de efetuar os serviços.Arquivo FolhaMarder, da Redram: constratação fixa baixa custo e traz competitividadeCarmem Murara

mockup