São Paulo - O Brasil precisará de R$ 250 milhões para investir na segurança dos portos até 2006. O cálculo é do diretor da Secretaria de Transportes Aquaviários, Paulo de Tarso Carneiro. Segundo ele, R$ 100 milhões serão liberados até o fim do ano para obras e adequação de equipamentos e serviços em 17 portos. Carneiro afirmou que mais R$ 150 milhões serão necessários para 2005 e 2006. Este montante, segundo ele, deverá entrar no orçamento do Ministério dos Transportes no ano que vem e a sua liberação não tem prazo para ocorrer. Só o Porto de Santos, o principal do País, precisará de R$ 26 milhões até 2005, sem contar os investimentos da iniciativa privada, que ainda estão sendo calculados.
Os principais portos do mundo estão sendo aperfeiçoados para obter o ISPS Code, certificado de segurança de navios e instalações portuárias criado pela Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), órgão das Nações Unidas que cobra o cumprimento de medidas de segurança contra ataques terroristas - exigido principalmente nos Estados Unidos após os atentado de 11 de setembro de 2001. Os portos que não se adequarem podem deixar de receber navios internacionais.
De acordo com o governo, dos 34 portos e 170 instalações portuárias do País, 20 portos e 142 instalações já foram certificados. O trabalho prossegue até o fim do ano. Segundo Carneiro, alguns portos pequenos precisam de poucos investimentos. O grosso das verbas será usado em obras civis e instalação de equipamentos, como câmeras e rastreadores de contêineres.
O assessor da Comissão Portos (Comportos), Juan Llerena, afirma que o Brasil tem uma oportunidade única de elevar a competitividade portuária em relação a outros países. ''O ISPS Code está só começo. As regras tendem a ficar mais rígidas ao longo dos anos e o Brasil poderá sair na frente, pois a segurança portuária agrega valor ao nosso comércio exterior'', disse.
Para Carneiro, a maior parte dos países está atrasada para implementar as medidas. ''Dos 5 mil terminais portuários dos Estados Unidos, apenas 6% já têm as regras implementadas.''

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